1 de novembro de 2011

A Sombra do Vento

A Sombra do Vento
Certa ocasião ouvi um cliente habitual da livraria de meu pai comentar que poucas coisas marcam tanto um leitor como o primeiro livro que realmente abre caminho ao seu coração. As primeiras imagens, o eco dessas palavras que pensamos ter deixado para trás, nos acompanham por toda a vida e esculpem um palácio em nossa memória ao qual mais cedo ou mais tarde - não importa o livro que leiamos, os mundos que descubramos, o quanto aprendamos ou nos esqueçamos - iremos retornar. Para mim, essas páginas enfeitiçadas serão sempre as que encontrei entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos.

Em uma madrugada na Barcelona de 1945, Daniel Sempere é levado por seu pai, dono de uma livraria, ao Cemitério dos Livros Esquecidos - um lugar misterioso e labiríntico, com estantes repletas de livros. Seu pai lhe pede que ele escolha um livro, aquele que permanecerá com ele para sempre. Daniel, então com 11 anos, escolhe A Sombra do Vento, de Julián Carax.

Após a leitura da obra, Daniel decide procurar outros livros do autor. Porém, descobre que provavelmente tem em mãos a última edição de um deles, pois alguém está destruindo todas as obras de Carax. Daniel começa a ficar mais e mais obcecado pela vida de Julián Carax. Por que alguém está destruindo todos seus livros? E quem foi ele, realmente?

A Sombra do Vento é um livro sobre um livro. Mas também sobre como um livro pode mudar a vida de muitas pessoas. E por isso ele próprio é especial.

Começamos a história - contada em primeiro pessoa - com um menino de 11 anos. Porém, os anos vão passando, ele cresce. E nós crescemos com ele, pois acompanhamos seu desenvolvimento, suas investigações, seus amores e decepções. Porém, o que mais me instigou a leitura, foi tentar descobrir a verdadeira identidade de Julián Carax - um personagem cercado de mistério, que só é revelado no final.

Também foi um livro que me suscitou diversas discussões. Quando comecei a ler, comentei a história com um amigo. E ele retrucou: quando morremos, deixamos para trás apenas nossas ideias; no caso de um escritor, são seus livros. Se alguém destruir todos os seus livros, seria como se o escritor nunca tivesse existido. Para alguém que ama livros como eu, foi ótimo poder ler um livro que tem livros como personagens principais. Por isso, recomendo esta história a todos os tipos de leitores. Não podemos deixar que a história de Julián Carax e Daniel Sempere seja esquecida!

Curiosidade: o Cemitério dos Livros Esquecidos e a livraria de Sempere também aparecem no livro O Jogo do Anjo, de Zafón. Eu ainda não li, mas meu namorado já leu e disse que é muito bom. Vou emprestar dele!

Outras capas:
A Sombra do Vento Capas

Nota:

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