15 de março de 2012

Um Mundo Brilhante

Levou um minuto até que percebesse realmente o que havia visto e até que seu cérebro, ainda atordoado por causa da ressava e pela descrença, pudesse extrair algum sentido da imagem que estava diante dos seus olhos. O absurdo daquela situação foi o que o atingiu primeiro, e ele quase riu; mais tarde, aquilo faria com que pensasse se o ocorrido seria prova de que, como Sara dizia de tempos em tempos, ele era incapaz de mostrar empatia e capaz de agir com a mais assustadora crueldade.
(página 13)

Certa manhã, Ben Bailey sai de sua casa para pegar o jornal, como sempre faz. Porém, se depara com um jovem índio caído na neve, em seus últimos instantes de vida. Com a polícia encerrando o caso rapidamente, mas sem estar convencido, resolve descobrir por conta própria o que realmente aconteceu. A partir daí, muito muda na vida de Ben, principalmente quando ele conhece a irmã do garoto.

A história do livro mostra, principalmente, como nossas ações afetam a vida de outras pessoas. A investigação do assassinato é interessante, mas não é o principal neste livro, pois o foco é tudo que acontece na vida de Ben, Sara (sua esposa) e Shadi (a irmã) depois disso. Por isso, não espere um livro policial.

A narrativa é bem escrita e os personagens são bem vivos. Mas isso não quer dizer que simpatizei com eles. Ben, o principal, parece não ter controle de sua própria vida. É um chato, traidor (pessoas que traem suas esposas me irritam), que assiste sua vida passar, sem tentar mudar nada a respeito. E eu fui acompanhando a vida de Ben, "assistindo-a" junto dele, durante a leitura. Nem conseguia torcer para ele, de tão bobo que ele era. Sua esposa, Sara, o manipula livremente, e ele não faz nada, nem discute com ela.

A única personagem por quem senti compaixão foi Shadi, a irmã do índio assassinado. Li o livro todo esperando que ela pudesse por um ponto final na morte de seu irmão - mesmo ela não ligando mais para isso. E fiquei com mais raiva ainda de Ben por ele ficar se metendo na vida dela.

Flagstaff, onde Ben mora 

A tradução deste livro está muito boa e a capa é linda! É toda cheia de brilhos (já publiquei foto aqui). O livro é dividido em partes como "Mundo Vermelho", "Mundo Azul" etc.

A primeira parte do livro

Enfim, eu gostei bastante da história do livro, mas não gostei do personagem principal. Recomendo a leitura para quem quer ler um livro sobre a vida, com um fundo de investigação policial.

Capa original:


Nota:

Onde comprar: Submarino
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