5 de junho de 2012

Estilhaça-me

Não tenho nada senão um caderno e uma caneta quebrada e os números na cabeça para me fazer companhia. Uma janela. Quatro paredes. Espaço de 1,48 m². Vinte e seis letras de um alfabeto do qual não fiz uso em 264 dias de isolamento.
Seis mil, trezentas e trinta e seis horas desde que toquei outro ser humano.
(página 5)

Juliette tem um toque letal: ela não pode encostar em outra pessoa sem que essa pessoa morra. Presa, é obrigada a dividir sua cela, Adam. Mas o Restabelecimento tem outros planos para ela...

Estilhaça-me se passa em um futuro em que o planeta está destruído e há uma organização (o Restabelecimento) que determina todas as leis. Juliette possui um super poder, se apaixona por um mocinho e tem inimigos mortais.

A história não é nem um pouco original. Muito pelo contrário, é X-Men num futuro apocalíptico. É fácil de identificar as relações: Juliette é Vampira, enquanto dois outros personagens (que não vou revelar quais são) tomam para si os papeis de Magneto e Professor Xavier. Até aí tudo bem. Ainda poderia dar uma história legal... Mas não foi bem sucedida.

Vampira, dos X-Men (fonte

A narrativa é extremamente cansativa, cheia de metáforas que não fazem sentido. A escrita de Tahereh Mafi é repetitiva. Um exemplo: toda hora aparece a expressão "estar sangrando". "As paredes estavam sangrando". Seria legal se estivessem mesmo, como na clássica cena do filme O Iluminado, mas infelizmente eram metáforas para sei lá o quê. A falta de vírgulas chega a irritar. Frases do tipo "era isso E aquilo E aquilo outro E mais isso" são comuns. E o pior, não foi problema de tradução; pelo que li em outras resenhas, a escrita da autora é assim em inglês.

Enfim, eu não gostei do livro. Acho que a história é interessante e poderia ter rendido um ótimo livro, mas a autora não soube conduzi-la. Porém, muitas outras pessoas leram e adoraram. Por isso, recomendo que leiam e tirem suas próprias conclusões.

Outras capas:

Nota:

Onde comprar: Submarino
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