27 de junho de 2012

Resenha do leitor: A Mulher de Preto

A resenha de hoje é assinada pela Sheila, que também é resenhista do blog Dear Book e mantém o blog Psicologia (s): teoria e prática. Vamos conferir?

Buscando na vasta biblioteca mental de palavras adjetivas, acredito que apenas uma é capaz de descrever perfeitamente este livro: intenso. Comecei a lê-lo às 10 da manhã de uma terça-feira cinzenta e terminei às 13:50 do mesmo dia, indo direto para a frente do computador resenhá-lo. Ainda me encontro sob o profundo efeito que a leitura me causou - e que momento melhor que este para tentar traduzir em palavras as sensações despertadas pela leitura de tal obra?

Pois bem, vamos a um pequeno resumo do que trata a estória. O livro nada mais é do que o relato escrito de Arthur Kipps, um advogado aposentado que se vê atormentado, às vésperas dos festejos natalinos, pela rememoração involuntária de fatos angustiantes que o perseguem, por mais que passem-se os anos. Os netos, ao redor da lareira, brincam à meia luz, contam estórias de fantasmas. Como explicar-lhes o indescritível pavor que lhe assoma essa brincadeira, aparentemente inocente?

Atemorizado, mas resoluto em exorcizar estes velhos fantasmas de uma vez por todas, Arthur resolve escrever sobre o que lhe acontecera à tempos idos, quando ainda era um jovem aspirante na carreira e foi mandado por seu chefe à Casa do Brejo da Enguia, para comparecer ao enterro e tratar de alguns documentos da Sra Drablow, uma antiga e importante cliente.

Já no enterro desta senhora, percebe o ar lúgubre que rodeia tanto o acontecimento em si – a morte, apesar de nunca ser bela, as vezes recobre-se de mantos sinistros quando não há quem pranteie quem se vai – quanto o lugarejo onde os trabalhos fúnebres se passam. Mais perturbador ainda, é a presença de uma estranha mulher de preto, que apenas ele parece poder ver.

- Diga-me, aquela outra mulher ... – eu disse ao alcançá-lo – Espero que consiga chegar bem e casa ... ela parecia incrivelmente doente. Quem era ela?
Ele franziu a testa (...)
- Eu não vi nenhuma jovem.
- Mas, certamente ... – E olhei para trás, para o cemitério da igreja, e lá estava ela novamente. Consegui ver de relance seu vestido preto e o contorno de sua touca.


Mas ninguém mais daquele lugar vê – ou admite ver – o mesmo que Arthur, que começa a perceber que há algo relacionado à Sra Drablow e o lugar onde residia, pois as posturas sempre se tornavam rígidas e as conversas eram abruptamente interrompidas quando o motivo de sua estada na região era evocado.

Arthur parte então para a Casa da Enguia onde se depara com névoas densas que o fazem perder-se, gritos de pessoas se afogando nos brejos traiçoeiros da estrada que leva à antiga morada da Sra Drablow, além de um melhor vislumbre da que passa a ser nomeada A mulher de Preto, visão aterradora que o faz acreditar que há mais que rumores de camponeses sem instrução rondando a velha casa.

Mas quando me virei, meu olhar percorreu mais uma vez o cemitério e então vi novamente a mulher com o rosto abatido que havia comparecido ao funeral da Sra Drablow (...) Mais cedo, quando olhei para ela, embora não tenha passado de uma rápida olhadela por vez, não havia notado nenhuma expressão específica em seu rosto arruinado, mas ficara extremamente impressionado com a aparência de sua grave doença. Nesse momento, vi que em seu rosto havia uma expressão. E era uma que só posso descrever – e as palavras parecem irremediavelmente inadequadas para exprimir o que vi – como uma maldade desesperada e nostálgica.

Apesar de a escrita ser bem estruturada e fluir com facilidade, para quem não gosta de textos muito descritivos o livro pode se tornar um pouco cansativo em alguns pontos. O princípio – até mais ou menos a página 80 – é francamente desanimador. Mas do meio para o fim, o relato vai ganhando uma cadência acentuada, a ponto de criar uma crescente expectativa pelo que estará por vir. Chega um momento em que parece-se embarcar junto com Arthur nesta luta contra os clamores da racionalidade, e ir em busca de respostas a este grande mistério. Afinal, qual a verdadeira história por trás dos gritos? Pelo que anseia tão desesperadamente a Mulher de Preto?

Recentemente adaptado para o cinema, o filme baseado no livro conta com a atuação de Daniel Radcliffe - que para quem não sabe é o ator que interpretou o famoso Harry Potter de J. K. Howlling - e vem recebendo uma boa atenção da mídia, mas ainda não o vi para conferir e comparar com a obra escrita.

A contracapa anuncia “um livro para quem gosta de sentir frio na espinha”. Não senti, nem o achei assustador. Mas, com toda certeza, trata-se de uma estória surpreendente, com um final perturbador. Correndo o risco de ser melodramática direi: aos que tiverem coragem, aventurem-se a lê-lo, pois certamente não se arrependerão.

Disponivel em: http://www.dear-book.net/2012/04/resenha-mulher-de-preto-susan-hill.html

Nota:

Sobre a resenhista - Sheila Schildt:

Sheila Schildt tem 24 anos, é de Porto Alegre-RS, atualmente mora em Viamão e é graduada em Psicologia, atuando na área clínica. Adora Cinema, Escrever, Ler, Séries, Música, Stephen King (principalmente a série "A Torre Negra"), Agatha Christie, O Senhor dos Anéis, The Big Bang Theory.
Resenhista para o blog Dear Book http://www.dear-book.net
E blogueira iniciante http://www.psicologias2011.blogspot.com/
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