5 de julho de 2012

Garotas de Vidro

Não vou poluir meu corpo com Blueberryqualquercoisa, nem muffins, nem cacos de torrada que fazem barulho quando passo manteiga sobre eles. O lixo e os erros de ontem já passaram por mim. Sou brilhante e cor-de-rosa por dentro, limpa. O vazio é bom. O vazio é forte.
(página 11)

Lia sofre de anorexia e depressão. A história começa quando sua melhor amiga, Cassie (que tem bulimia), é encontrada morta em um motel. Ao mesmo tempo que tenta descobrir como Cassie morreu, Lia conta as calorias e deixa de comer para se manter com um peso cada vez menor.

Vou ser sincera: eu adoro comer. Não ligo muito para os quilos a mais ou pneuzinhos, prefiro ficar com eles do que sem meu chocolatinho de todos os dias. Por isso, me senti em agonia lendo esse livro. Cassie conta as calorias de tudo e comer uma simples batata-frita (não uma porção, uma batata!) é um sofrimento para ela. Gente, existe coisa mais gostosa que batata-frita? Esse livro acabou me deixando com fome...

Brincadeiras à parte, a história é narrada em primeira pessoa e muito bem escrita, pois eu realmente me senti dentro da cabeça de Lia. Acho que a autora conseguiu passar bem como funciona a cabeça de uma pessoa com anorexia. E é um lugar bem sombrio. Antes disso eu não conseguia imaginar como alguém passaria fome por livre e espontânea vontade; agora, acho que entendo um pouco.


Para descontrair e refletir (fonte)

Algo que não gostei na narrativa é que ela é parecida com a de Estilhaça-me: muito cheia de metáforas desnecessárias e palavras riscadas. Neste caso, algumas palavras riscadas eram até  interessantes, pois mostravam a confusão na cabeça de Lia, mas foram tantas que acabei "me treinando" para ignorá-las durante a leitura. Apesar disso, a história me prendeu bastante, pois queria saber como Cassie havia morrido.

É raro isso acontecer, mas com este livro acabei torcendo contra a protagonista. Queria que ela passasse mal, para que ela acordasse e visse como estava se destruindo. É o tipo de história que precisava ter alguma lição de moral no final.

Eu acho que em alguns momentos a Lia acabou mostrando a anorexia como algo bom (na cabeça dela); por isso, não recomendaria este livro a alguém que já se sente inseguro com seu corpo. Tenho medo de que possa influenciar alguém a desenvolver um distúrbio alimentar. Para todas as outras, recomendo - mas, por favor, não comecem a contar as calorias de um simples morango, para seu próprio bem.

Outras capas:


Nota:


Onde comprar: Submarino
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