13 de fevereiro de 2013

Resenha do leitor: The Walking Dead: A Ascensão do Governador

Oi pessoal! Quem assina a resenha de hoje é o Elder, do blog O Epitáfio! Vamos conferir? Não deixem de visitar o blog dele também.

Na contracapa, a afirmação audaciosa: "Faz True Blood parecer com iCarly". No conteúdo, têmporas arrebentadas, sangue como chuva e apreensão ocupando os espaços brancos entre a multidão de palavras. Embora a ousadia da colocação, a brutalidade sanguinolenta da obra e o estado de tensão constante entre os capítulos a transformam em um grande teatro de horror, onde a humanidade serve de figurante e a protagonista é uma infecção incontrolável que misteriosamente reanima o corpo dos mortos.

O mundo doentio que serve de pano de fundo para história do livro é o mundo de The Walking Dead. Publicado como história em quadrinhos no ano de 2003, The Walking Dead alcançou o sucesso em 2010 quando teve a HQ adaptada para uma série de televisão de mesmo nome. Desde então, os zumbis galgaram mais alguns passos em direção à notoriedade e mais uma vez se tornaram funestas celebridades.

Embora a série televisiva não tenha caminhado nos mesmos caminhos que a história em quadrinhos percorreu, ela ainda ganhou destaque entre os fãs da história original e bateu recordes de audiência na exibição de seu primeiro episódio. Na terceira temporada da série de televisão, em exibição, The Walking Dead enfim começou a se alinhar com a HQ e incorporou na história o grande vilão dos quadrinhos: O Governador (Philip). O criador da história, Robert Kirkman, se negou a preencher os quadrinhos de flashbacks para explicarem a origem do déspota comandante da cidade de Woodbury, por isso, em 2011, lançou o primeiro livro de uma trilogia, The Walking Dead - Rise of the Governor, que narra as origens do eleito "o vilão do ano" pela revista americana Wizard.

The Walking Dead - A Ascensão do Governador gira em torno dos caminhos tomados por Philip Blake, sua filhinha Penny e seu irmão Brian pelo mundo devastado por causa do apocalipse zumbi. Bobby e Nick, dois antigos amigos de Philip, também acompanham o bando. Os cinco juntos formam um grupo de resistência nada comum que busca cruzar o estado da Geórgia em direção à Atlanta, onde as frequências de rádio insistem em divulgar a existência de um centro de refugiados, com comida, energia, remédios e um lugar onde se possa dormir longe dos ruídos provocados pelos mortos-vivos.

Os meios de comunicação vão se tornando inoperantes, os abrigos pelas estradas vão sendo perturbados por hordas de zumbis e o controle diante da situação vai se atenuando aos poucos como translúcida fumaça. Levantando tradicionais questões inerentes ao clima de fim de mundo e criando teorias relacionadas ao surgimento da infecção, o livro segue uma narrativa sufocante em terceira pessoa que consegue deixar uma curiosidade indiscreta ao final de cada capítulo.

Os autores conhecem bem as vísceras mais tentadoras para os zumbis, conhecem tanto que em alguns momentos o livro é recheado por nomes da anatomia e fisiologia humana. Nesse ambiente decorado por pútridas entranhas, os personagens são ainda mais apresentados ao caos provocado pela desordem social. Se deviam tomar cuidado com os mortos, agora, acima de tudo, devem prestar atenção nos vivos. O mundo está alterado e sujeitos tiranos surgem por todos os lados, dispostos a matar por um bom abrigo ou estuprar para terem uma recordação daquilo que costumavam chamar de prazer.

O próprio fanatismo religioso ganha espaço e por um momento Nick, que presenteia a obra com seus supetões de religiosidade, afirma que tudo não passa de um martírio fruto dos planos malévolos do diabo. Para Nick, o tinhoso está trabalhando contra Deus e obtendo sucesso, fazendo com que as almas dos homens fiquem presas para sempre no mundo material sem que possam desfrutar das regalias do paraíso. Matá-los, portanto, seria libertá-los do limbo putrefato em que vivem e enviá-los ao julgamento perante o divino.

O universo sem esperança do livro transforma aos poucos as concepções sobre vida que antes os personagens possuíam. Propriedade privada, leis do próprio esforço, direitos civis, imagens de dignidade, respeito e cidadania perderam sua legitimidade no mundo infestado por zumbis. O cenário de destruição molda a cabeça do homem que algum tempo depois se transformará no Governador, deixando-o cada dia mais cruel e afetando gradualmente o seu estado psicológico.

Devorei o livro sem piedade, não pela fome, mas pelo paladar que chamou a atenção. Quando jurava que ia ler só mais um capítulo e me pôr na cama, a leitura me colocava de pé com os olhos arregalados e me fazia atravessar a madrugada. Embora eu tenha encontrado alguns erros de revisão, e até determinado ponto tenha considerado o final previsível, recomendo a leitura da obra. Mas destaco que o livro pode ser lido de forma independente, sem a necessidade de que o leitor conheça o mundo de The Walking Dead existente nos quadrinhos a na série de televisão.

Nota:

O resenhista - Elder Ferreira:
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