12 de janeiro de 2015

Trecho: A Música do Silêncio

Quando acordou, Auri soube que tinha sete dias.

Sim. Tinha certeza. Ele chegaria para uma visita no sétimo dia.

Um longo tempo. Longo para esperar. Mas não muito longo para tudo o que precisava ser feito. Não se ela fosse cuidadosa. Não se
quisesse estar pronta.

Ao abrir os olhos, Auri viu uma nesga de luz. Coisa rara, já que estava bem escondidinha no Manto, o mais íntimo dos seus lugares. Era um dia branco, portanto. Um dia profundo. Dia de achar. Ela sorriu, com o peito efervescendo de animação.

A luz era suficiente apenas para ela ver a forma pálida de seu braço quando os dedos acharam o vidro de conta-gotas, na prateleira de cabeceira. Auri o abriu e deixou cair apenas uma gota no prato de Foxen. Após um momento, ele começou a se iluminar aos poucos, até chegar a um pálido azul-crepúsculo.

Auri afastou o cobertor, movendo-se com cautela para que ele não encostasse no chão. Desceu da cama e sentiu o piso de pedra aquecer-se sob seus pés. Sua bacia descansava sobre a mesa junto à cama, ao lado de uma lasca do seu sabonete mais doce. Nada havia mudado durante a noite. Isso era bom.

Esse foi um trecho do livro A Música do Silêncio, de Patrick Rothfuss. É um conto sobre a personagem Auri, que vive nas tubulações da Universidade nos livros O nome do vento e O temor do sábio. Será lançado exclusivamente em e-book em Janeiro, pela Editora Arqueiro.

Outros livros da série:

Eu ainda não li nenhum livro da série, e vocês?

Capas e trecho fornecidos pela Editora Arqueiro.
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