18 de dezembro de 2015

A Menina da Neve

Mabel sabia que haveria silêncio. Esse era o sentido de tudo, afinal. (...) Todos esses sons do fracasso e arrependimento dela seriam deixados para trás e, no lugar deles, havia apenas silêncio.

Após perderem seu bebê, Jack e Mabel se mudam para o Alasca. Durante uma nevasca e em um dos raros momentos juntos, o casal constrói uma menina de neve. No dia seguinte, avistam uma menina correndo pelas árvores, usando exatamente o mesmo cachecol que haviam utilizado no boneco.

O livro se passa em 1920, quando a região do Alasca era mais inóspita do que é hoje. A autora descreve bem todas as dificuldades de se morar nessa região, nessa época: o frio extremo, a dificuldade de conseguir atendimento médico, como se manter alimentado durante o inverno sem dinheiro... A vida de Jack e Mabel realmente não é fácil, mas os dois estão dispostos a viver nesse lugar e tentam fazer dar certo. Ainda bem que eles tinham bons vizinhos, que também estavam dispostos a ajudar (eu adorei a tagarela da Esther).

Há um conto de fadas russo chamado Snegurochka (dama de neve), no qual o livro se baseia, e que é também citado durante a história - Mabel tem um livro sobre esse conto, mas está em russo e ela não consegue ler, apenas se lembra da história que seu pai contou e observa as figuras.


Aliás, falando na Mabel, eu conseguia sentir a dor que ela sentiu ao perder seu bebê, e toda a desolação passada por ela. O cenário também ajuda e havia horas em que eu me sentia sufocada, só queria sair da cabana deles e respirar. Não foi uma leitura fácil, mas eu adorei o modo que a Eowyn Ivey escreve, que chega a ser poético em alguns trechos.

A Menina da Neve é uma história misteriosa, com um toque de magia misturado a realidade. Não chega a ser um conto de fadas e não é uma história leve, mas recomendo.

Outras capas:


Nota:

Livro cedido para resenha pela Novo Conceito.
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