19 de julho de 2016

Noite sobre as águas

Aquele era o avião mais romântico de todos os tempos. Parado no cais de Southampton, ao meio-dia e meia do dia em que a guerra fora declarada, Tom Luther esquadrinhava o céu, esperando pela aeronave, com o coração tomado de ansiedade e temor. Cantarolava baixinho, sem parar, algumas passagens de Beethoven – o primeiro movimento do Concerto do Imperador, uma melodia estimulante, apropriadamente bélica.

Estamos na Inglaterra, em setembro de 1939, poucos dias após o Reino Unido declarar guerra à Alemanha. O último voo a deixar a Europa é a bordo do Clipper, um luxuoso hidroavião que poucos podem pagar. Noite sobre as águas acompanha os passageiros, que não poderiam ser mais diferentes um dos outros.

Temos Margaret, uma jovem que quer trabalhar na guerra, mas é obrigada a deixar o país com seus pais controladores. Eddie Deakin, engenheiro de voo, se vê nas mãos de um grupo de mafiosos. Harry Marks, um charmoso ladrão, fugindo da polícia britânica. Esses e muitos outros fazem parte de um enredo envolvente.

Se você acha que as viagens de hoje são intermináveis, prepare-se para entrar a bordo do Clipper: são 30 horas de voo entre a Inglaterra e os Estados Unidos. O avião realmente existiu, mas o resto da história é fictícia. Porém, até poderia ser real. Ken Follett constrói seus personagens tão bem, que a gente até duvida que está lendo uma obra de ficção. Além disso, as cenas são tão dinâmicas e bem descritas que passam como num filme.


Não posso terminar a resenha sem comentar: eu já havia lido esse livro há mais ou menos uma década, em outra edição. Na época já havia gostado bastante, mas quando vi o relançamento revisado da editora Arqueiro, quis ler de novo. E acho que, daqui alguns anos, gostaria de ler novamente.

Noite sobre as águas é uma viagem imperdível através do Atlântico. Recomendo!

Outras capas:


Nota:

Livro cedido para resenha pela editora Arqueiro. Leia um trecho do livro aqui.
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