18 de novembro de 2016

Trecho: O primeiro dia do resto da nossa vida


Na cozinha lá de casa havia um prato pintado à mão que minha mãe tinha comprado durante umas férias em Tenerife. Ele continha os dizeres: Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida.

Eu nunca tinha dado atenção àquilo mais do que ao troféu do meu pai que ficava no canto da sala ou ao globo de neve de Nova York que meu irmão Kevin havia nos mandado num Natal, mas, no último dia de férias, não conseguia tirar aquela frase da minha cabeça.

Quando acordei, o interior da barraca estava brilhando, alaranjado como uma lanterna de abóbora. Abri o zíper da porta com cuidado para não acordar Doll e pus a cabeça para fora, em direção à luz ofuscante do dia. O ar ainda estava fresquinho e era possível ouvir o tilintar dos sinos ao longe. Anotei a palavra “plangente” no meu diário com um asterisco do lado para me lembrar de checá-la no dicionário quando chegasse em casa.

Dali do acampamento, a vista de Florença, repleta de abóbadas em terracota e torres de marfim branco que brilhavam contra o céu azul límpido, era tão perfeita que tive uma estranha sensação de melancolia, como se eu já estivesse com saudade de tudo aquilo.


É assim que começa O primeiro dia do resto da nossa vida, de Kate Eberlen. O livro parece ser muito bom, alguém já leu?

Leia mais no site da Arqueiro.
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