5 de fevereiro de 2017

Trecho: Ninfeias Negras


Num vilarejo, viviam três mulheres.

A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.

O vilarejo tinha um belo nome de jardim. Giverny.

A primeira morava num grande moinho à beira de um regato, na estrada chamada Chemin du Roy, o “caminho do rei”; a segunda ocupava um apartamento sobre a escola primária, na Rue Blanche-Hoschedé-Monet; a terceira vivia com a mãe numa casinha de paredes descascadas, na Rue du
Château-d’Eau.

As três tampouco tinham a mesma idade. De modo algum. A primeira tinha mais de 80 anos e era viúva. Ou quase. A segunda tinha 36 e nunca havia traído o marido. Ainda. A terceira estava prestes a completar 11 anos e todos os meninos de sua escola queriam ser seu namorado. A primeira só
usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento.


Esse foi um trecho de Ninfeias Negras, lançamento da editora Arqueiro que já está na minha fila de leituras.
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