30 de outubro de 2017

Valsa Maldita

Do vão da porta, já sinto o cheiro de livros antigos, um perfume de páginas que se esfacelam e de couro desgastado pela ação do tempo. Os outros antiquários por que passei nesta ruazinha de pedras têm ar-condicionado e a porta fechada para manter o calor do lado de fora, mas a deste está aberta, como se me convidasse a entrar.

Julia é uma violonista profissional. Durante uma viagem para Roma, ela encontra uma partitura de uma valsa inédita, chamada Incêndio, de um autor desconhecido, L. Todesco. Impulsivamente, Julia compra a música e a leva consigo de volta para os Estados Unidos, onde vive com seu marido, Rob, e sua filha de três anos, Lily. Porém, quando finalmente toca a música em seu violino, algo estranho e inesperado acontece.

Esta foi minha primeira experiência com a escritora Tess Gerritsen e adorei! Ela é mais conhecida pela série de livros policiais Rizzoli & Isles. Valsa Maldita não é um livro policial - se eu fosse comparar com outra autora seria com Lucinda Riley, pois a história é instigante e cheia de mistérios, e mistura duas histórias, uma no passado e outra no presente.

Não quero comentar muito sobre a história para não dar spoilers, por isso não posso falar justamente o que mais me tocou nela. Eu esperava algo mais simples, talvez até sobrenatural, mas não estava preparada para tudo que aconteceu neste livro. Aviso: é de chorar.

Recomendo Valsa Maldita para quem gosta de história, música e mistério.

Outras capas:


Nota:

26 de outubro de 2017

Fangirl

There was a boy in her room.
Cath looked up at the number painted on the door, then down at the room assignment in her hand.
Pound Hall, 913.
This was definitely room 913, but maybe it wasn’t Pound Hall - all these dormitories looked alike, like public housing towers for the elderly.

(Havia um garoto em seu quarto.
Cath olhou para o número pintado na porta, depois para o papel em sua mão.
Pound Hall, 913.
Este era definitivamente o quarto 913, mas talvez não fosse Pound Hall - todos esses dormitórios pareciam iguais, como prédios de moradias públicas para idosos.)

Cath e Wren são irmãs gêmeas idênticas e sempre fizeram tudo juntas. Mas agora, com dezoito anos e começando a faculdade, isso vai mudar. Para começar, elas ficarão em dormitórios separados. Cath logo conhece Reagan, sua nova colega de quarto, e seu namorado, Levi.

Uma das coisas que Cath - que também é nossa narradora - mais gosta de fazer é escrever fanfics. Elas se passam no mundo de Simon Snow, um mago bem parecido com Harry Potter. Ela começa a ter aulas de escrita de ficção, mas tem medo de não conseguir escrever uma história original, além de outras coisas básicas como ir almoçar na cafeteria. Estaria Cath preparada para deixar o mundo fictício de Simon Snow e começar a escrever a história de sua própria vida?

Este foi o primeiro livro de Rainbow Rowell que eu "leio" (já explicarei as aspas) e amei! Me identifiquei muito com a Cath, porque lembrei de quando eu mesma entrei na faculdade e me sentia super insegura em relação a tudo. Era um mundo novo, com pessoas novas e o fato de eu ser tímida e introvertida (assim como Cath) não ajudava em nada. Então, consegui entender direitinho como ela se sentia.

Eu coloquei o "leio" entre aspas porque esta foi minha primeira experiência bem-sucedida com um audiobook. Tentei ouvir no passado mas não havia dado certo até então. Primeiro porque em português eu não encontrava livros que me interessavam, e quando tentava ouvir livros grátis em inglês, a narração era entendiante. Resolvi experimentar o trial de um mês grátis do Audible (serviço em inglês), que dá um crédito para trocar por um audiobook. Como normalmente o inglês dos young adults costuma ser mais fácil, usei meu crédito em Fangirl, que era um livro que queria ler faz tempo.

Gostei bastante da experiência! A narração é em duas vozes, um homem (Maxwell Caulfield) quando é lido um trecho de Simon Snow, no começo de cada capítulo, e uma mulher (Rebecca Lowman) no resto do livro. As duas vozes são bastante claras e de fácil entendimento. Além disso, o jeito que a Rebecca narrou me fez gostar ainda mais da história - e de Levi.

Se você tem algum preconceito contra audiobooks, escolha e ouça um bem produzido. Eu ouvia um pouco por dia, antes de dormir, e até dormia melhor depois - como se fosse uma historinha, sabe? Foi muito bom.

A fanfic que Cath escreve no livro, Carry On, gerou um outro livro, que também já foi publicado no Brasil. Eu amei Fangirl e por isso também estou curiosa para conhecer esse.

Outras capas:


Nota:

Créditos da fanart: Tumblr

23 de outubro de 2017

The Light Fantastic

Inside the ship is Twoflower, the Disc's first tourist. He had recently spent some months exploring it and is now rapidly leaving it for reasons that are rather complicated but have to do with an attempt to escape from Krull.

This attempt has been one thousand percent successful.

(Dentro do navio está Twoflower, o primeiro turista do disco. Ele passou recentemente alguns meses explorando e agora está deixando rapidamente isso de lado por razões bastante complicadas, mas que têm a ver com uma tentativa de escapar de Krull.

Essa tentativa tem sido mil por cento bem sucedida.)

2º livro da série Discworld. Resenhas anteriores:
1. The Color of Magic
3. Equal Rites

Esta resenha NÃO contém spoilers dos livros anteriores da série!

The Light Fantastic começa exatamente onde The Color of Magic terminou, portanto, prosseguimos com as aventuras dos magos Rincewind e Twoflower. Agora os dois já estão bem entrosados, mas ainda tem alguns conflitos, principalmente por causa das atitudes sem-noção de Twoflower, o primeiro turista de Discworld.

Eu havia achado o livro anterior um pouco confuso, pois ele tinha diversas storylines que se misturavam e muitos personagens. Nesse ponto o segundo livro é melhor. Ainda tem vários personagens, porém achei mais fácil acompanhar a história de todos eles, pois em algum momento eles se cruzavam com a história de Rincewind.

O livro tem um final fechado, sem deixar um gancho para um próximo. Mas eu gostaria de ler mais livros com Rincewind e Twoflower, pois os dois são garantia de boas risadas.

The Light Fantastic foi publicado originalmente em 1986, e no Brasil em 2002 pela editora Conrad, com o título A Luz Fantástica.

Outras capas:

Nota:

19 de outubro de 2017

Só os animais salvam

Colette sempre diz que há uma diferença triste e sufocante numa sala onde até pouco tempo antes imperava uma presença felina e esta mesma sala vazia, e sinto isso na trincheira: uma ausência fria onde o gato deveria estar.

Assim como costuma acontecer com as edições da Darkside Books, apaixonei-me primeiro pela capa (dura). Tem gato, luas e estrelas, não havia como eu não gostar. Além disso, o livro é todo muito bonito. Há ilustrações no início e final de cada conto e vem com uma fita para marcar a página.

Porém, eu não estava preparada para ler um livro tão triste.

Só os animais salvam é uma coletânea de dez contos narrados por animais. Todos se passam durante alguma guerra e são as últimas palavras de cada animal. Ou seja, além de ter toda a tristeza e horror do fato de estarem no meio da guerra, já sabemos de antemão que o animal/narrador irá morrer no final.

O livro foi cheio de altos e baixos para mim. O primeiro conto, do camelo, me fez quase desistir do livro, porque li duas vezes e até agora não o entendi. Mas os contos seguintes foram melhores. Outro ponto que não funcionou comigo foi que os contos são cheios de referências a outros escritores. Como eu só os conhecia de nome, não consegui entender essas referências dentro do contexto de cada conto.

Meus contos preferidos foram da gata (óbvio), do chimpanzé (por ser totalmente diferente dos outros) e do mexilhão (nunca havia pensado que um mexilhão pudesse ter tantos pensamentos e sentimentos). A autora, a sul-africana Ceridwen Dovey, é com certeza muita criativa.

Só os animais salvam foi uma leitura sofrida, porque eu gosto muito de animais (tornei-me vegetariana por eles) e senti com cada um deles. Não sei se leria novamente por causa disso. Talvez daqui a alguns anos, quando o choque inicial já tenha se desfeito.

Obs: não gosto quando as editoras mudam o título, mas colocar o "salvam" no final deixou o livro com um toque de esperança.

Outras capas:


Nota:

16 de outubro de 2017

The Color of Magic

In a distant and secondhand set of dimensions, in an astral plane that was never meant to fly, the curling starmists waver and part...
(Em um conjunto de dimensões distantes e de segunda mão, em um plano astral que nunca tinha a intenção de voar, as poeiras cósmicas onduladas vacilam e partem...)

Depois de Direitos Iguais, Rituais Iguais, eu queria mergulhar de vez no mundo de Discworld. Mas sabia que teria que ir devagar, já que a série de Terry Pratchett possui 41 livros e tem uma ordem esquisita para ler (procurem no Google por "Discworld reading order" que vocês vão entender). Resolvi começar pelo começo e comprei o primeiro livro da série em e-book, desta vez em inglês, pelas razões que citei na resenha de Direitos Iguais, Rituais Iguais.

(Curiosidade: o e-book americano estava pela metade do preço do original, britânico, na Amazon. Vai entender.)

The Color of Magic não é um livro de leitura fácil. Isso porque tem vários sub-enredos acontecendo e muitos personagens aparecendo ao mesmo tempo, o que o torna um pouco confuso. Toda vez que eu voltava à leitura precisava reler as últimas linhas para lembrar onde havia parado.

Os personagens principais são os magos Rincewind e Twoflower - cuja melhor definição é a seguinte:

Twoflower was a tourist, the first ever seen on the Discworld. 
Tourist, Rincewind had decided, meant "idiot".
(Twoflower era um turista, o primeiro já visto no Discworld. Turista, Rincewind decidiu, significava "idiota".)

Há diversos momentos engraçados, outros tensos, mas a maioria sarcásticos. Meu personagem preferido, que eu queria para mim, foi Luggage - uma mala com pernas na qual cabe qualquer coisa e que segue fielmente seu dono.

O livro terminou no meio da ação e eu fiquei bem curiosa para saber o que vai acontecer com Rincewind e Twoflower. O próximo livro dos magos é The Light Fantastic, que logo pretendo adquirir também.

Outras capas:


Nota:

12 de outubro de 2017

Quero ver no Brasil: Outubro/2017

Oi pessoal! No mês passado não publiquei esta coluna porque acabei esquecendo (blogueira também é gente, desculpe!). Mas agora estamos de volta à programação normal... Estes são os quatro lançamentos internacionais que mais me chamaram a atenção no mês de outubro! Vamos torcer para que sejam publicados por aqui?!


* Crazy cat ladies, preparem os lencinhos para The Astonishing Thing (a coisa surpreendente). O livro conta a história de Boo, um gatinho que vivia com sua mãe humana Carrie e sua família. Até que um dia, de repente, Carrie deixa a família para trás, incluindo seu bebê humano. Ao mesmo tempo que se preocupa com sua nova vida, Boo tenta descobrir por que Carrie os deixou.

* Deixando as lágrimas de lado e passando a roer as unhas com The Ghostwriter (a escritora fantasma), um suspense sobre uma autora de sucesso e um segredo obscuro que ela esconde. Seu livro final será sua confissão.

* Da diva dos new adults chega Without Merit (sem mérito). A protagonista, Merit, deseja fugir da sua família, que é tudo menos normal. Até que conhece Sagan e precisa lidar com as consequências entre dizer a verdade e perder o único garoto que ama.

* Para encerrar, uma coleção de contos de ficção científica, do mesmo autor de Silo. Machine Learning explora de inteligência artificial a universos paralelos e videogames.

Quais vocês querem ler?

9 de outubro de 2017

Quem é você, Alasca?

"Passamos a vida inteira no labirinto, perdidos, pensando em como um dia conseguiremos escapar e em quanto será legal. Imaginar esse futuro é o que nos impulsiona para a frente, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente."

O único livro do John Green que havia lido até então, A culpa é das estrelas, havia gostado bastante. Por isso, tinha curiosidade em ler outros livros do autor, para ver se ele era bom mesmo ou se era sucesso de um livro só. Coincidentemente, uma colega de trabalho estava vendendo alguns livros dela, e entre eles havia Quem é você, Alasca?, o que me fez ler mais um sucesso do autor.

A história é narrada por Miles Halter, um adolescente cujo hobby é pesquisar e decorar as últimas palavras antes da morte. Ele vai estudar no colégio interno Culver Creek, onde divide o quarto com Chip "Coronel" e conhece Alasca Young.

Quem é você, Alasca? teve um efeito, em mim, parecido com 13 Reasons Why (a série de TV, não o livro, porque ainda não li). Não consegui gostar de nenhum personagem, mas mesmo assim não conseguia parar de acompanhar a história deles.

Miles e seus amigos são insuportáveis, e Alasca é a pior deles. O único interesse deles é fumar, beber e inventar "trotes". Estudar no colégio (caro, diga-se de passagem) que é bom, nada. Sendo adulta, tenho realmente pena de pais que tem filhos assim, que não estão nem aí pra nada.

Porém, o jeito que John Green escreve é viciante. Eu queria saber o que ia acontecer com cada um deles, queria saber porque os capítulos se chamavam "X dias antes". Antes de quê? E o que vem depois? Quando a grande questão foi respondida, vi que explicava algumas coisas do comportamento deles, e que eles precisavam de acompanhamento psicológico há muito tempo.


Apesar da narrativa fácil, Quem é você, Alasca? não é de fácil digestão. É um livro que incomoda e é justamente esse o seu valor. Porque se fosse só para ler adolescentes se destruindo, sem ter consequências, não iria servir para nada.

Outras capas:


Nota:

5 de outubro de 2017

Totally Spellbound

Último livro da trilogia Fates.
Atenção! Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores da série!

Resenhas anteriores:
1. Simply Irresistible
2. Absolutely Captivated

Megan Kinnealy usually liked driving at night. The silence, the empty roads, the darkness surrounding her car made her feel like she was the only person on the planet. Driving in darkness calmed her - usually.
But she wasn't calm tonight.

(Megan Kinnealy geralmente gostava de dirigir de noite. O silêncio, as estradas vazias, a escuridão que cercava seu carro a faziam sentir que era a única pessoa no planeta. Dirigir na escuridão a acalmava - geralmente.
Mas ela não estava calma esta noite.)

O livro começa antes do término do anterior, quando Travers chama sua irmã, a psicóloga infantil Megan, para cuidar de seu filho Kyle, enquanto ele vai com Zoe para Faerie. Porém, algo estranho acontece enquanto ela está dirigindo para Las Vegas... Megan atravessa uma espécie de bolha mágica, onde vê um homem misterioso treinando um falcão. Isso dura alguns minutos, até que a bolha desaparece e Megan chega no hotel, onde encontra Kyle e as Fates.

Esse mundo mágico é completamente novo para Megan. Mas ela logo recebe todas as explicações necessárias e começa uma missão: pedir a ajuda do bilionário Rob Chapeau para resgatar a Roda das Fates. O que ela não sabia, no começo, é que esse homem, além de ser o mesmo que ela viu antes, é o lendário Robin Hood.

Pois é, ele mesmo, como se não bastassem os deuses da mitologia grega, fadas e bruxos... Eu disse na resenha do primeiro livro que essa série era uma mistura de tudo, né? Apesar de parecer uma zona, acaba dando certo!

Totally Spellbound fala bastante sobre amor verdadeiro e como uma pessoa também pode ter mais de um durante sua vida. Eu gostei bastante dos novos personagens e o final foi previsível e inesperado ao mesmo tempo. Os livros da trilogia Fates são inéditos no Brasil, mas os e-books estão disponíveis em inglês na Amazon.

A história continua em outra trilogia, agora sobre as Fates "estagiárias". Fiquei curiosa para ler essa série também.

Outras capas:

Nota:

2 de outubro de 2017

Resumo do Mês: Setembro/2017

Oi pessoal! Setembro foi um mês que passou voando, ainda mais que tirei três semanas de férias. *-*
Mas tudo que é bom um dia acaba, então já estou de volta ao trabalho e sonhando com as férias do ano que vem. Enquanto elas não chegam, vou me jogar nas leituras.

* Leituras do mês: Continuei meu projeto de reler a série Torre Negra, com o terceiro livro. Também me iniciei no mundo de Discworld, de Terry Pratchett, terminei a trilogia Fates, li um dos famosos do John Green e mais um da Darkside Books.


* Comprinhas: Comprei três livros em inglês, coincidentemente todos relacionados a gatos e cachorros (nem gosto :)


* Resenhas do mês:

A melhor leitura de setembro foi (claro) As Terras Devastadas, seguido pelos livros da série Discworld. O que vocês leram de bom?
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