19 de outubro de 2017

Só os animais salvam

Colette sempre diz que há uma diferença triste e sufocante numa sala onde até pouco tempo antes imperava uma presença felina e esta mesma sala vazia, e sinto isso na trincheira: uma ausência fria onde o gato deveria estar.

Assim como costuma acontecer com as edições da Darkside Books, apaixonei-me primeiro pela capa (dura). Tem gato, luas e estrelas, não havia como eu não gostar. Além disso, o livro é todo muito bonito. Há ilustrações no início e final de cada conto e vem com uma fita para marcar a página.

Porém, eu não estava preparada para ler um livro tão triste.

Só os animais salvam é uma coletânea de dez contos narrados por animais. Todos se passam durante alguma guerra e são as últimas palavras de cada animal. Ou seja, além de ter toda a tristeza e horror do fato de estarem no meio da guerra, já sabemos de antemão que o animal/narrador irá morrer no final.

O livro foi cheio de altos e baixos para mim. O primeiro conto, do camelo, me fez quase desistir do livro, porque li duas vezes e até agora não o entendi. Mas os contos seguintes foram melhores. Outro ponto que não funcionou comigo foi que os contos são cheios de referências a outros escritores. Como eu só os conhecia de nome, não consegui entender essas referências dentro do contexto de cada conto.

Meus contos preferidos foram da gata (óbvio), do chimpanzé (por ser totalmente diferente dos outros) e do mexilhão (nunca havia pensado que um mexilhão pudesse ter tantos pensamentos e sentimentos). A autora, a sul-africana Ceridwen Dovey, é com certeza muita criativa.

Só os animais salvam foi uma leitura sofrida, porque eu gosto muito de animais (tornei-me vegetariana por eles) e senti com cada um deles. Não sei se leria novamente por causa disso. Talvez daqui a alguns anos, quando o choque inicial já tenha se desfeito.

Obs: não gosto quando as editoras mudam o título, mas colocar o "salvam" no final deixou o livro com um toque de esperança.

Outras capas:


Nota:

Related Posts with Thumbnails