18 de abril de 2018

Os Próprios Deuses

Tinha acontecido trinta anos antes. Frederick Hallam era um radioquímico, com a tinta ainda fresca em sua tese de doutorado e sem o menor indício de ser alguém capaz de abalar o mundo.

A descoberta da Bomba de Elétrons é o que os cientistas sempre sonharam: uma fonte de energia ilimitada, barata e que não gera poluição. Hallam é aclamado pelo público por sua descoberta, que só foi possível graças ao conhecimento vindo de um universo paralelo.

Porém, outro cientista, Peter Lamont, quer levar a público que Hallam, na verdade, não passa de um impostor. Além disso, ele está convencido de que a Bomba é perigosa - e que sua existência irá por um fim ao nosso universo.

Por coincidência (porque tiro minhas leituras da TBR Jar), acabei lendo dois autores clássicos de ficção científica em seguida: Arthur C. Clarke e Isaac Asimov. Agora posso dizer que já li dois livros de cada, e por enquanto Clarke está ganhando no páreo.

Os Próprios Deuses é dividido em três partes. A primeira é sobre a treta entre Hallam e Lamont que comentei acima. Na segunda, acompanhamos os seres do para-universo - e foi a coisa mais louca que já li na vida. Já na terceira, vamos para a Lua, onde estão construindo outra Bomba de Elétrons.

Dei 3 estrelas mais por respeito a Sir Asimov que qualquer outra coisa, porque juro que não consegui entender esse livro. Li várias resenhas, comentários, discuti sobre com o marido (foi ele que me sugeriu a leitura)... Mas, apesar de admirar a narrativa, não consegui gostar. As três partes foram muito desconexas umas com as outras. O que mais me impressionou foi que nas duas primeiras há uma certa urgência em relação à Bomba (ela vai explodir o universo! Fujam para as colinas!), mas ninguém dá importância a isso.

Apesar de ser considerada uma obra-prima da ficção científica e ter ganhado vários prêmios, Os Próprios Deuses simplesmente não funcionou comigo. É uma pena, mas ainda não vou desistir de Asimov.


Nota:

15 de abril de 2018

Rendezvous with Rama

In a way, it was a pity. An encounter with a dark star would have been quite exciting.
While it lasted...

De certa forma, era uma pena. Um encontro com uma estrela negra teria sido bastante empolgante.
Enquanto durasse...

Um enorme objeto aparece voando pelo sistema solar. Tendo já esgotado os nomes das mitologias gregas e romanas, os astrônomos partem para o hinduísmo e o nomeiam Rama.

Ao contrário do que se pensa a princípio, Rama não é um objeto natural, como um meteoro. É uma nave espacial enorme, indo em direção ao nosso sol. Logo os terráqueos enviam sua própria nave até Rama, com a missão de descobrir quem são e o que querem os Ramans.

Depois do genial O Fim da Infância, estava curiosa para ler outros livros de Arthur C. Clarke, um dos autores clássicos da ficção científica. Apesar de Rendezvous with Rama ter sido publicado pela primeira vez em 1973, o livro envelheceu bem e não parece datado.

Algumas partes da narrativas são um pouco devagar, enquanto outras são cheias de ação e imaginação - imagine um astronauta passando por uma colina artificial pedalando uma bicicleta em formato de libélula, enquanto foge de uma monstruosidade. O livro alterna esses momentos, sem ficar entediante.

Nós vamos descobrindo mais sobre os Ramans junto com os astronautas naquela missão, sentindo medo, alegria e curiosidade com eles. O livro termina sem muitas explicações, provando que o mais importante é a jornada e não o destino.

Rendezvous with Rama foi publicado no Brasil pela Editora Aleph, com o título Encontro com Rama. O livro tem 3 continuações (desnecessárias, a meu ver), co-escritas com outro autor.


Nota:

11 de abril de 2018

The Hate U Give

I shouldn’t have come to this party.
I’m not even sure I belong at this party. That’s not on some bougie shit, either. There are just some places where it’s not enough to be me. Neither version of me. Big D’s spring break party is one of those places.

Eu não deveria ter vindo a esta festa.
Eu nem tenho certeza se pertenço a essa festa. Isso não é alguma merda, também. Há apenas alguns lugares onde não basta ser eu. Nenhuma versão de mim. A festa de primavera de Big D é um desses lugares.

Starr, de dezesseis anos, tem uma vida dividida entre o bairro negro e pobre onde vive com sua família e a escola rica e branca onde estuda. Ela sempre conseguiu manter os dois mundos separados, mas eles começam a se cruzar depois de uma tragédia terrível. Voltando para casa de uma festa, ela e seu amigo Khalil são parados pela polícia e ele é morto a tiros na frente dela.

The Hate U Give (publicado no Brasil como O ódio que você semeia) é um livro extremamente atual. Trata de racismo, bullying, (in)justiça, violência, relacionamentos familiares... Diversos assuntos se misturam para contar a história de Starr - e de Khalil através dela.

Ouvi o audiobook em inglês pelo Audible, que foi brilhantemente narrado por Bahni Turpin. Sua voz e seu sotaque fizeram toda a diferença, pois ela dramatiza muito bem toda a emoção passada pela história. Já virei fã da voz dela!

Se você tem o mínimo de respeito pelo ser humano, não tem como não ficar revoltado com o que aconteceu com Khalil e, pior, pensar que isso acontece com outros jovens todos os dias. É por isso que livros como este são tão importantes: eles incomodam. Eu realmente espero que esse livro faça as pessoas pensarem e se sintam incomodadas com tudo isso.

The Hate U Give já teve seus direitos de adaptação vendidos para o cinema e eu não vejo a hora de poder ver essa história novamente.

Ás vezes você pode fazer tudo certo e as coisas ainda darem errado.
O segredo é nunca parar de fazer certo.

Nota:

7 de abril de 2018

Sempre Vivemos no Castelo

Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. (...) Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.

Mary Katherine, mais conhecida como Merricat, mora com sua irmã Constance , o tio Julian e seu gato Jonas na antiga casa da família Blackwood. Todo o resto da família morreu de envenenamento e a suspeita do crime foi Constance. Ela foi inocentada, mas desde então o trio sofre preconceito dos outros moradores do vilarejo. Quando o primo Charles chega na casa dos Blackwood, tudo irá mudar para essa família.

Sempre Vivemos no Castelo é um livro sensacional e é difícil explicar o motivo sem dar spoilers, mas vou tentar.

Primeiro, a protagonista/narradora. Merricat manipula nós, leitores, sem que nos damos conta disso. Em alguns momentos achei a garota um pouco macabra, mas depois vi como a autora me fez concordar com ela.

Segundo, o povo do vilarejo. Lembram do povo do filme A Bela e a Fera, que era basicamente uma massa não-pensante, que tinha raiva da Belle e do seu pai porque eles raciocinavam e criavam soluções para os problemas do dia-a-dia? É igual. Assim como Merricat, fiquei com ódio de todo mundo e queria que eles caíssem mortos (viram como a narradora me fez pensar igual a ela?).

Eu só fui entender o que significava o título do livro quando o grande mistério foi revelado. Aí tudo se encaixou e eu percebi como a autora foi genial escrevendo como Merricat. Mas deixo aí para vocês lerem e tirarem suas próprias conclusões.

Sempre Vivemos no Castelo foi meu primeiro contato com Shirley Jackson - que foi referência para grandes nomes da literatura de terror e fantasia, como Stephen King e Neil Gaiman. Não vejo a hora de ler mais trabalhos dela.

Imagem original: Pinterest

Nota:

3 de abril de 2018

Só Garotos

Costumávamos rir de nós mesmos quando crianças, dizendo que eu era uma menina má tentando ser boa e que ele era um bom menino tentando ser mau. Com o passar dos anos esses papeis se reverteriam, depois reverteriam de novo, até que acabamos aceitando nossa natureza dual. Contínhamos princípios opostos, luz e trevas.

Quando recebi o kit de março da TAG Livros, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque vieram dois livros ao invés de um (o outro, Devoção, já resenhei aqui), triste porque o livro principal era uma biografia. Já pensei que seria um daqueles que iria levar o mês inteiro lendo, devagarzinho, porque ia ser chato.

Pois é, vocês podem ver que eu tinha um certo preconceito com biografias, que foi por água abaixo com esse livro. Logo nas primeiras páginas, já me senti envolvida pela escrita de Patti Smith e não queria parar de ler. Eu conhecia a Patti Smith do mundo do rock (amo Because the night), mas através de Só Garotos conheci a Patti artista, poetisa, escritora, amiga e amante.

O livro veio de uma promessa que ela fez ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, feita pouco antes de ele morrer, de que ela iria contar a história de vida deles. Então, o livro começa com Patti chegando em Nova York nos anos 1960 e os altos e baixos de sua vida com Robert, passando pela carreira dos dois.

Robert deixou este mundo em 1989, mas Patti continua na ativa, aos 71 anos. Eu adorei poder conhecer um pouco sobre eles através de Só Garotos.

Podemos tentar mas nunca seremos tão estilosos quanto esses dois (Pinterest).

Nota:

31 de março de 2018

Resumo do Mês: Março/2018

Oi pessoal! Último dia de março, entre um feriado e um domingo, hora boa para atualizar o blog. Nesse último mês estou meio lenta para escrever as resenhas, tenho algumas acumuladas e vou tentar deixá-las programadas hoje, além de visitar os blogs amigos.

* Leituras: finalmente terminei de reler A Torre Negra! Também li os livros que vieram na TAG de março, tive meu primeiro contato com a Shirley Jackson (spoiler: foi sensacional), li um gibi e terminei de ouvir o audiobook de The hate u give.


* Novidades: Esse mês não comprei livros, então só chegou aqui a TAG Livros do mês. Comprei algumas revistas na banca.


* Resenhas do mês:

Minha leitura preferida em março foi Sempre vivemos no castelo.
O que vocês leram de bom?

24 de março de 2018

Devoção

A inspiração é a incógnita da equação, a musa que assola na hora oculta. As setas voam e não se percebe o impacto, nem se percebe que todo um elenco de catalisadores, uns independentes dos outros, reuniu-se de modo clandestino para formar um sistema singular, dissolvendo o indivíduo com as vibrações de uma doença incurável - ao mesmo tempo profana e divina.

Como admiradora do bom e velho rock'n'roll, já conhecia a Patti Smith na área da música. Mas não fazia ideia de que ela também era escritora. O kit de março da TAG Livros foi especial dela (veja aqui) e o brinde do mês foi esse livrinho.

Devoção tem apenas 125 páginas, que eu li numa sentada só porque não conseguia parar. Ele começa com o conto/crônica Como a mente funciona, no qual Patti narra todo seu processo criativo para escrever a história, e é seguido pela história em si.

A história de Devoção é simples, sobre uma garota de 16 anos que tem um caso com um homem mais velho. Porém, o modo como ela escreve é muito interessante. Além disso, foi muito legal perceber o que ela via e sentia incluídos depois na narrativa.

Gostei bastante do livro e acho que quem gosta de ler e escrever também irá gostar. Recomendo!


Nota:

18 de março de 2018

A Torre Negra (releitura)

7º e último livro da série A Torre Negra.
Atenção! Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores da série!

Resenhas anteriores:
1. O Pistoleiro
2. A Escolha dos Três
3. As Terras Devastadas
4. Mago e Vidro
5. Lobos de Calla

Pére Callahan tinha sido o padre católico de uma cidade, 'Salem's Lot era seu nome, que não existe mais em qualquer mapa. Ele não se importava muito com isso. Conceitos como o de realidade tinham deixado de ter importância.

Vocês repararam que esta faltando a resenha da releitura do 6º livro (Canção de Susannah)? Pois é, eu reli o 5º e pulei para o 7º sem perceber, simplesmente porque ele desapareceu da minha casa. Não sei onde foi parar o livro, e só me dei conta que tinha pulado ele quando fui resenhar este. Não deve ser muito bom, se eu nem senti falta durante a leitura...

Exceto pelo 6º livro então, terminei de reler a série A Torre Negra. Childe Roland (finalmente) à Torre Negra chegou, e não foi uma jornada fácil. Nesse último livro, King se vale de muita metalinguagem e de seu próprio papel de escritor para ajudar nosso Pistoleiro.

Confesso que não gostei tanto de A Torre Negra quanto dos livros anteriores, o começo foi um pouco devagar, mas depois do primeiro tiroteio as coisas começaram a acontecer mais rapidamente.

Roland, Susannah, Eddie, Jake e Oi são personagens que marcaram demais. Sempre vou carregá-los comigo e espero um dia voltar a vê-los. O que é bem possível, afinal, o ka é uma roda que não para de girar.


Nota:

12 de março de 2018

Quero ver no Brasil: Março/2018

Oi pessoal! Vamos ver os quatro lançamentos internacionais de março que mais me chamaram a atenção?


* Depois que mudanças climáticas tornaram a Terra um lugar perigoso para se viver, seis jovens são selecionados para um treinamento que os levará a outro planeta. Esse é o enredo do young adult The Final Six.

* Sou fã dos livros da Agatha Christie, mas não conheço quase nada da vida da autora. Por isso fiquei interessada na biografia Agatha Christie: A Mysterious life, que promete desvendar a vida da escritora, tão misteriosa quanto seus livros.

* The Feed conecta todas as pessoas e é acessível o tempo todo, no mundo inteiro. Com uma trama pós-apocalíptica que discute o que é estar conectado na era digital, o livro parece ser muito Black Mirror.

* Para descontrair, tem um novo livro com as tirinhas da Sarah Andersen. Seus outros dois livros já foram publicados por aqui, então a chance de Herding Cats também ser é grande.

Quais livros vocês querem ver no Brasil?

8 de março de 2018

Hiss of Death

How they laughed. That absurd story brought up others. They laughed until they cried.
Later, each woman would look back and recall that at that meeting they were all together and so very happy.

Como elas riram. Essa história absurda trouxe outras. Elas riram tanto que até choraram.
Mais tarde, cada mulher olharia para trás e lembraria que naquela reunião estavam todas juntas e muito felizes.

Eu adoro enredos do tipo cozy mystery, um gênero que ainda não é muito publicado aqui no Brasil (da Wikipedia: um subgênero de ficção criminal em que o sexo e a violência são minimizados ou tratados com humor e o crime e a detecção ocorrem em uma comunidade pequena e socialmente íntima). Ainda mais se tiver animais envolvidos. Quando vi esse livro por apenas 5 dólares, com o subtítulo It takes a cat to write the purr-fect mystery (Precisa-se de um gato para escrever o mistério purrfeito), tive que comprar na hora, ainda mais que a co-autora, Sneaky Pie Brown, é a gata da autora. Infelizmente, ele não foi tão bom quanto prometia.

A personagem principal é "Harry" Harristeen, uma fazendeira que vive com seu marido e seus bichinhos: o corgi Tucker, as gatas Mrs. Murphy e Pewter, além de diversos outros animais da fazenda. Uma de suas amigas, Paula, morre misteriosamente. Parece ter sido um acidente, mas Harry não está convencida.

A primeira enganação desse livro é que ele definitivamente não foi cozy (confortável). A autora cria várias cenas e diálogos totalmente desnecessários à história, apenas para mostrar suas opiniões políticas e religiosas sobre vários assuntos. Isso foi muito chato e ainda fez o mistério cair para segundo plano.


O que salvou esse livro e me fez ler até o fim foram os animais. Eles têm diálogos entre eles e ajudam a pegar o verdadeiro assassino, o que resultou uma cena muito legal. Outro ponto positivo é que o livro tem diversas ilustrações com os bichinhos.

Hiss of Death é o 19º (!) da série de livros Mrs. Murphy, mas não é necessário ler os anteriores para entender este. Sendo sincera, esse teve partes tão chatas que nem tenho vontade de ler outros livros da autora.

Outras capas:


Nota:

5 de março de 2018

Resumo do Mês: Fevereiro/2018

Oi pessoal! Em fevereiro consegui ler bastante (o carnaval ajudou). Terminei dois livros que havia começado no mês passado e depois li esse monte aí embaixo. Em março acho que não vou ler tanto, pois já estou iniciando o mês relendo dois "tijolinhos" (O Mundo de Sofia e A Torre Negra)


Não comprei nada de livros, então aqui em casa só chegou a caixinha da TAG, que estou assinando.


Também tive alguns problemas aqui em casa. No feriado, percebi que a minha gata estava indo muito ao banheiro. Levei ao veterinário e depois de fazer os exames vimos que ela estava com uma pedra na bexiga, e precisou fazer cirurgia para tirar. Ela está melhorzinha agora, mas a Meg não é uma gatinha muito cooperativa na hora de tomar os remédios, o que me deixou bem cansada e frustrada na última semana do mês. Obrigada a todos que acompanharam pelo Instagram e mandaram mensagens positivas!


Resenhas do mês:

Minha leitura preferida em fevereiro foi O Labirinto dos Espíritos! E vocês?

1 de março de 2018

Más allá del invierno

A fines de diciembre de 2015 el invierno todavía se hacía esperar. (...) Tres semanas después del Año Nuevo, cuando ya nadie pensaba en el retraso del calendario, la naturaleza despertó de pronto sacudiéndose de la modorra otoñal y dejó caer la peor tormenta de nieve de la memoria colectiva.

No final de dezembro de 2015, o inverno todavia se fazia esperar. (...) Três semanas após o Ano Novo, quando ninguém estava pensando no atraso do calendário, a natureza acordou de repente sacudindo-se da sonolência de outono e deixou cair a pior tempestade de neve da memória coletiva.

Estou fazendo um curso de espanhol e queria muito ler um livro em espanhol para treinar - mas não queria pegar qualquer um, tinha que ser um que fosse escrito originalmente em espanhol, e não uma tradução. Sempre quis ler algo da Isabel Allende e quando Más allá del invierno, seu livro mais recente, apareceu entre as promoções de e-books do Kindle, comprei prontamente. (Aliás, se alguém tiver dicas de autores que escrevem em espanhol, deixem um comentário, por favor!)

O livro começa em Nova York, com flashbacks no Chile, Guatemala e até no Brasil. No meio de uma nevasca, o professor Richard Bowmaster bate no carro de Evelyn Ortega e lhe entrega seu cartão, para acionar o seguro. Mais tarde, ela, uma imigrante ilegal da Guatemala, aparece em sua casa desesperada. Sem entender o que ela diz, Richard pede ajuda a sua vizinha e inquilina, a chilena Lucía Maraz.


Os três personagens têm um passado triste e conturbado e a narrativa entremeia essas suas histórias com o presente. Cada um veio de um país e foi viver em outro, para no final se encontrarem em Nova York. Eu me emocionei com eles e também aprendi bastante, inclusive sobre meu próprio país.

Más allá del invierno é um livro que tem um monte de coisas ruins juntas: assassinato, gangues,  ditadura... Mas com uma história envolvente que, no final, se torna um romance. Gostei bastante e quero ler os outros livros da autora. O livro já foi publicado no Brasil pela editora Bertrand, com o título Muito além do inverno.

Outras capas:


Nota:

26 de fevereiro de 2018

O Alforge

Para o Beduíno, liberdade era o ar do deserto que ele respirava. Esse era o espaço aberto do possível, entre o conhecido e o negado, o espaço desabitado da expectativa entre fatos aparentes.

O Alforge é dividido em nove partes, cada uma contando o ponto de vista de um personagem, cujas vidas se cruzam em uma mesma história, passada no deserto árabe. São eles: o ladrão, a noiva, o líder, o cambista, a escrava, o peregrino, o sacerdote, o dervixe e o cadáver.

Eles não têm nome e suas histórias não têm diálogos, o que tornou a leitura mais demorada, pois é um tipo de narrativa bem diferente do que estou acostumada. O fato de repassar várias vezes a mesma parte da história também a deixou cansativa, já sabíamos o que ia acontecer com certos personagens e muitas vezes sentia que a história não ia adiante.

Foi uma leitura totalmente fora da minha zona de conforto, mas apesar desses pontos negativos, gostei de conhecê-la porque aprendi muito. O livro é cheio de termos árabes, o que fez com que eu lesse com o celular do lado, buscando-os no Google e conhecendo culturas totalmente diferentes da minha.


Além disso, o livro trata, no fundo, de explicar a Fé bahá'í, uma religião que fala sobre união e igualdade. Os personagens são de diversas religiões e partes do mundo e se unem para explicar sua mensagem. Achei essa parte linda. Independente do que se acredita, acho que o mundo precisa muito aprender a ter tolerância e respeito ao próximo.

O Alforge não foi uma leitura fácil, porém foi mais um livro que me deixou feliz pelo simples fato de ter lido. O livro faz parte do kit de fevereiro/2018 da TAG Livros e até então era inédito no Brasil. Que bom que ele já chegou aqui em uma linda edição.

Outras capas:


Nota:

22 de fevereiro de 2018

A Taxonomy of Love

Two important things happened the summer I turned thirteen.
Hope moved in next door.
Mrs. Laver assigned a summer project on taxonomy.

Duas coisas importantes aconteceram no verão em que fiz 13 anos.
Hope se mudou para a porta ao lado.
A Sra. Laver atribuiu um projeto de verão sobre taxonomia.

Spencer e Hope se conhecem aos treze anos, quando ela se muda para a casa do lado com sua família. Logo se tornam amigos, apesar de ele ter receio de sair da sombra de seu irmão, devido à Síndrome de Tourette (transtorno neuropsiquiátrico hereditário que se manifesta durante a infância, caracterizado por diversos tiques físicos e pelo menos um tique vocal - Wikipedia). Porém, Hope não liga para isso. Ela vê Spencer como ele realmente é, não pela síndrome. A Taxonomy of Love é narrado por Spencer e acompanha o personagem dos 13 aos 19 anos.

Acho que esse foi o primeiro livro que leio cujo protagonista/narrador tem Tourette. Já havia ouvido falar nessa síndrome, porém procurei saber mais por causa do livro. Gostei bastante de Spencer e ele deixou bem claro como ela afetava sua vida.


Ouvi o audiobook através do Audible e acho que isso me influenciou a não gostar da Hope, pois a narradora dela tinha uma voz estridente e irritante (até doía meus ouvidos quando ela gritava "Squeee"). Aliás, outra coisa que não gostei foram os capítulos narrados por Hope - eles surgiram e depois sumiram. Foram emocionantes, mas ficaram muito perdidos no meio da história. Se o livro fosse todo em capítulos alternados, teriam feito mais sentido.

A Taxonomy of Love é um livro bonitinho, mas com uma história previsível, que seria esquecível se não fosse pela síndrome do narrador e pelas taxonomias que ele cria. É divertido, mas não se deve esperar muita coisa.

Nota:

19 de fevereiro de 2018

Gwendy's Button Box

The man has been on this same bench every day this week, always reading the same book (Gravity's Rainbow, it's thick and looks mighty arduous), but has never said anything to her until today.

Todos os dias durante o verão de 1974, em Castle Rock, Gwendy, de doze anos, sobe as escadas que levam ao parque Castle View. Um dia, um homem estranho de chapéu, sentado em um banco, a chama para conversar. Sua mãe sempre a alertou a não falar com estranhos, mas ela acaba se aproximando do homem. Ele, por sua vez, lhe oferece um estranho presente: uma caixa repleta de botões.

Apesar de Stephen King ser mais conhecido por histórias de terror, esta, em parceria com Richard Chizmar, é mais tensa do que terror em si. Para o final, inclusive, eu estava imaginando algo muito mais aterrorizante do que realmente aconteceu.

Além disso, ao contrário dos calhamaços do autor, Gwendy's Button Box é uma novella (história curta) de 171 páginas. Eu fiquei tão envolvida com ela que acabei lendo tudo em um dia só, pois não queria parar enquanto não soubesse o que ia acontecer com Gwendy.


A edição da Cemetery Dance Publications está linda, com capa dura e diversas ilustrações. Infelizmente, ela também é exclusiva, então dificilmente veremos este livro em edição similar em português, aqui no Brasil.

Outras capas:


Nota:

15 de fevereiro de 2018

O Labirinto dos Espíritos

4º livro da série O Cemitério dos Livros Esquecidos.
Atenção! Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores da série!

Resenhas anteriores:
1. A sombra do vento
2. O jogo do anjo
3. O prisioneiro do céu

Não sabia mais onde pôr aqueles livros para que meu filho não os encontrasse. Por mais fina argúcia que usasse para encontrar novos esconderijos, o olfato dele inevitavelmente os detectava. Folheei as páginas do volume e as recordações me assaltaram de novo.

Estamos na Barcelona de 1950. Daniel Sempere agora trabalha na livraria de seu pai, com sua esposa, Bea. Os dois tem um filhinho, Julián, e visitas constantes de Fermín e Bernarda.

Enquanto isso, em Madri, Alicia Gris é chamada para solucionar um mistério: o desaparecimento do ministro Mauricio Valls, ilustre patrono das artes, mas que também esconde um passado sombrio.

Quem já leu os outros livros da série, precisa parar o que está fazendo agora e ler este livro! E, quem não leu, pode até começar por este e depois partir para os outros. Eu li "meio" na ordem (1, 3, 2 e 4) e esse último livro junta todas as pontas que ficaram soltas nos outros livros. Mas, se alguém ler este primeiro, pode ter outra visão quando ler os outros.


Eu simplesmente amei esse livro. Fazia tempo que não usava post-its para marcar frases, mas esse livro praticamente me obrigou a fazer isso. A narrativa de Zafón é maravilhosa, é impossível não se envolver com ela e com seus personagens - meu preferido, aliás, continua sendo Fermín, com suas palavras bonitas e jeito galanteador. Além disso, a série toda foi escrita para os fãs de livros, que certamente vão se deliciar com as descrições do Cemitério dos Livros Esquecidos.

O Labirinto dos Espíritos fecha, com maestria, a série iniciada em A Sombra do Vento. Já sinto saudades de seus personagens e suas histórias e pretendo relê-las no futuro.

Uma história não tem princípio nem fim, só portas de entrada.

Outras capas:


Nota:

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