16 de junho de 2018

Coragem

Nós, sobreviventes, estamos usando nossa vez como nunca antes. Não podemos abrandar e, por mais difícil que seja, devemos continuar a falar ainda mais alto, a seguir com ainda mais força. Todas contam. Todas importam.

Eu conhecia a atriz Rose McGowan como a maioria deve conhecer, através da extinta série Charmed. Não sabia nada sobre a história dela como pessoa mas, depois de ler diversas resenhas positivas de Coragem, resolvi conhecer também.

O livro é uma autobiografia e começa desde sua infância, quando vivia com os pais dentro de uma seita, até se tornar atriz. Eu não sabia, mas Rose foi uma das atrizes que denunciou o produtor Harvey Weinstein - a quem ela se refere, justamente, como "Monstro".

Eu fiquei embasbacada com a quantidade de gente suja que Rose encontrou em sua vida. É um livro de difícil leitura porque faz a gente perder a esperança na humanidade, sério. Mas é uma leitura muito necessária. A exposição que ela faz dos bastidores de Hollywood é de embrulhar o estômago, mil vezes.

Com certeza é um livro que precisou de muita coragem para ser escrito. Recomendo mesmo para quem não faça a menor ideia de quem é a autora, pois Coragem é para ser lido, refletido e comentado.


Nota:

10 de junho de 2018

Só Escute

Nos anos que viriam, eu sempre me lembraria desse momento. Clarke e eu, no verão depois do sexto ano, paradas atrás daquela garota. Tantas coisas poderiam ter sido diferentes para mim, para todas nós, se outra coisa tivesse acontecido naquele instante.

Um ano atrás, Annabel era a "garota que tem tudo": melhores amigas para ir em festas do colegial, uma família de comercial de margarina e comerciais e desfiles. Agora, porém, ela está desolada. Suas amigas não falam mais com ela, sua família só finge que está tudo bem e ela não quer mais trabalhar como modelo. Em mais um almoço escondida no colégio, ela conhece Owen, um cara que também tem poucos amigos e está sempre com fones de ouvido. Ao contrário de Annabel, que sempre escondeu seus sentimentos, Owen é sempre sincero.

Para encarar a verdade, você precisa estar disposto a ouvi-la.

Sarah Dessen é minha escritora preferida de romances young adult. Só Escute tem uma linha narrativa bem similar a dos outros livros dela: a narradora tem um segredo, que vai se revelando aos poucos em flashbacks, a medida que a história progride no presente. Ela consegue me prender facilmente às páginas, pois ficava ansiosa para saber o que era o segredo de Annabel e como tudo iria se desenrolar.

No começo foi difícil ter alguma simpatia por Annabel, não conseguia entender porque ela seguia Sophie como uma tonta - simpatizei mais com outra ex-amiga delas, a Clarke, e, claro, com Owen. Também gostei bastante de Kristen, uma das irmãs mais velhas de Annabel e a única pessoa daquela família que era responsável o bastante.

O livro não é só um romance fofinho, mas trata de diversos temas pertinentes ao universo adolescente que sempre precisam de divulgação, como bullying, amizade e consentimento. O final da história foi realista, com nem todos personagens encontrando a redenção, mas talvez trabalhando nisso.


Nota:

3 de junho de 2018

The Regulators

A shotgun barrel pokes out. It is an odd color, not quite silver, not quite gray. The twin muzzles look like the symbol for infinity colored black.
Somewhere beyond the blazing sky, afternoon thunder rumbles again.

Um cano de espingarda aparece. É uma cor estranha, não muito prateada, nem muito cinza. As bocas gêmeas se parecem com o símbolo do infinito pintado de preto.
Em algum lugar além do céu escaldante, o trovão da tarde ressoa novamente.

The Regulators (Os Justiceiros, no Brasil) foi publicado pela primeira vez em 1996, assinado por Richard Bachman, o alter-ego de Stephen King. Ele faz par com o livro Desperation (Desespero) de um jeito bem incomum: ambos têm os mesmos personagens em papeis e histórias diferentes. Um não é continuação do outro, inclusive podem ser lidos independentemente da ordem. Garanto que se você ler um vai querer conhecer o outro. Eu li Desespero quando foi publicado pela primeira vez, pela editora Objetiva (já reli mais duas vezes), mas só agora consegui ler Os Justiceiros.

Um dos poucos livros do King que se passa fora do estado do Maine, aqui a ação é praticamente toda em um bairro de Wentworth, Ohio. É um típico dia de verão: crianças saem comprar doces enquanto o pai fica lavando o carro, pessoas dentro e fora de casa seguindo com suas vidas, o menino entregando jornal... que é brutalmente morto a tiros por uma van. A partir daí, o caos toma conta da antes pacata Poplar Street.

A história desse livro é muito louca, mas não vou comentar o motivo, para não dar spoilers. Foi totalmente diferente do que eu imaginava. Só preciso avisar que não é um livro para fracos de estômago: assim como Desespero, as cenas são bem gráficas em relação a sangue, ossos e vísceras.

The Regulators é mais um livro essencial em qualquer coleção Stephen King. Quando comecei a ler, não queria mais parar. Por isso, recomendo!

As capas originais dos livros formavam uma única imagem.

Nota:

31 de maio de 2018

Resumo do Mês: Maio/2018

Oi pessoal, tudo bem com vocês?
Maio fiquei ausente do blog, estava trabalhando demais e não tinha pique algum para sentar na frente do computador e escrever resenhas... Por isso vários livros ficaram sem resenhas, mas pelo menos consegui manter as leituras.

* Lidos: vários gêneros e línguas diferentes (espanhol, inglês e português).


* Recebidos: o kit de maio da TAG Livros e um novo livro de colorir, que comprei na Amazon.


* Coloridos: em meio ao estresse meu vício por colorir voltou com força. É a única coisa que me acalma quando tenho crises de ansiedade. Para quem também tem, recomendo viu? Ficar um tempinho em silêncio ou ouvindo música em meio às cores faz muita diferença para mim.


* Resenhas do mês:

A melhor leitura deste mês foi The Ghost and Mrs. Mewer, fofo demais.
Como foi maio para vocês?

26 de maio de 2018

Lost Boy: The True Story of Captain Hook

Peter will say I'm a villain, that I wronged him, that I never was his friend.
But I told you already. Peter lies.
This is what really happened.

Peter dirá que sou um vilão, que eu o ofendi, que nunca fui amigo dele.
Mas eu já te disse. Peter mente.
Isso é o que realmente aconteceu.

Esqueçam o Peter Pan como o conhecemos, seja pelo livro de J. M. Barrie ou o desenho da Disney. Está na hora de conhecer a verdadeira história do garoto que nunca cresceu, contada por aquele que um dia foi seu melhor amigo: Jamie, futuramente conhecido como Hook (Capitão Gancho).

Tudo é lindo e mágico na ilha de Peter Pan, que traz meninos do nosso mundo (o Outro Lado) para lhe fazer companhia e viverem grandes aventuras, nadando com sereias e enfrentando piratas. Até que Peter traz um menino que é novo demais: Charlie, de apenas cinco anos. Jamie assume o papel de irmão mais velho do garoto, o que provoca um ciúmes doentio em Peter. A partir daí, a ilha nunca mais será a mesma para esses meninos perdidos.

Adoro releituras de histórias clássicas e acho que, depois de Lost Boy, nunca mais conseguirei olhar para o Peter Pan do mesmo jeito. Fiquei com tanto ódio no coração por causa das coisas que ele fazia, de como ele era egoísta, maníaco, manipulador! Já Jamie foi um narrador que me conquistou demais. Foi incrível o jeito com que ele foi abrindo os olhos para quem Peter realmente era.

Se você acha que, por ser uma releitura de Peter Pan, este é um livro bonitinho e para crianças, vai se decepcionar. Lost Boy não economiza no sangue e membros cortados. É uma história sombria e assustadora, que faz a gente gritar, roer as unhas e chorar um pouco em cada capítulo. Adorei e recomendo!

Todas as crianças crescem, exceto uma.

Nota:

19 de maio de 2018

Tempo de Migrar para o Norte

Voltei, senhores, para minha família após uma longa ausência: sete anos, para ser mais preciso, durante os quais estudei na Europa. Aprendi muito, e muito me escapou, mas isso é outra história.

Tempo de Migrar para o Norte possui um narrador em primeira pessoa, porém anônimo, que retorna ao seu país natal, o Sudão, depois de morar na Europa. Sua história se mescla com a de outro personagem: Mustafa Said, um homem envolto em mistério que já viajou pelo mundo, mas que também retornou.

Este foi o livro de maio do clube de assinatura TAG Livros, que a cada mês me transporta para um lugar completamente diferente. Desta vez eu com certeza saí da minha zona de conforto, lendo meu primeiro livro que se passa no Sudão (confesso que não sou boa em geografia, tive que procurar no Google Maps onde era).

Não gostei da história desse livro, mas ao mesmo tempo achei-a interessante. Faz sentido?

Não consegui simpatizar com nenhum personagem (exceto Hosna talvez, a última esposa de Mustafa Said) e detestei Mustafa Said. Porém, ao mesmo tempo, gostei das discussões levantadas pelo enredo, como machismo, imigração versus voltar para casa, o contraste entre Sudão e Inglaterra.

Por isso, apesar de não ter gostado de Tempo de Migrar para o Norte, gostei de ter passado esse tempo com uma leitura completamente diferente do que estou acostumada, pois aprendi muito. É capaz até que, assim como os dois protagonistas, daqui alguns anos eu resolva voltar para o Sudão e tentar entender melhor essa história.

Kit da TAG Livros, com chá oriental.

Nota:

13 de maio de 2018

The Ghost and Mrs. Mewer

"There is no such thing as a ghost." Eva Chevalier turned her pointy nose up in the air and chortled. "It's preposterous. Nonsense, folderol, fiddle-faddle."
No sooner has she spoken than the automatic sliding glass doors to the parking lot whooshed open.

"Não existe tal coisa como um fantasma." Eva Chevalier virou o nariz pontudo no ar e gargalhou. "É absurdo. Bobagem, besteira, conversa fiada."
Mal ela falou, as portas automáticas de vidro do estacionamento se abriram.

The Ghost and Mrs. Mewer é o 2º livro da série Paws and Claws Mystery (tem resenha do primeiro no blog: Murder, She Barked), mas eles podem ser lidos de forma independente. A série é protagonizada por Holly Miller, que deixa seu emprego na cidade grande para viver com sua avó na pequena Wagtail, uma cidade feita para os amantes dos animais. As duas administram Sugar Maple Inn, o hotel perfeito para humanos e seus cães e gatos.

Um grupo improvável chega para se hospedar no hotel: são os membros do reality show Apparition Apprehenders, caçadores de fantasma que vêm filmar um episódio no abandonado Wagtail Springs Hotel, em pleno Halloween. É claro, seus pets vêm com eles: o cachorro Casper e a gata siamesa Mrs. Mewer. Porém, eles não contavam com que um dos membros da equipe fosse encontrado morto. Holly logo começa a investigar por conta própria, em meio a aparições misteriosas de fantasmas, e conta com a ajuda de suas fieis companheiras Trixie e Twinkletoes (as bontinhas na capa do livro).

Wagtail é definitivamente o lugar que eu gostaria de morar, ainda mais depois dessa visita a cidade durante o Halloween. Adorei poder voltar a essa cidadezinha com a companhia de seus bichinhos e resolver mais um mistério!

Infelizmente a série ainda não foi publicada no Brasil, mas recomendo muito para quem gosta de ler uma história de mistério leve, com bichinhos fofos que ajudam a solucionar o crime.


Nota:

1 de maio de 2018

Resumo do Mês: Abril/2018

Oi pessoal! Abril foi para mim o mês de renovar as energias, porque tive duas semanas de férias - uma de bobeira em casa e outra viajando por Santigo, Chile (tem algumas fotos no Instagram @meujardimdelivros). Foi um mês que passou rápido e na última semana voltei a trabalhar - e praticamente só, que correria. Mas a gente sempre arranja um tempinho para ler, né.

* Leituras: Por conta das férias consegui ler bastante esse mês, acho que foi um recorde. Dois livros eu já havia começado faz tempo (O Mundo de Sofia e The Cruel Prince) e terminei este mês.


* Recebido: O kit de abril da TAG Livros, cujo livro já li e adorei.


* Redescobri: Meus livros de colorir (um viva às férias)!


A melhor leitura do mês foi The Underground Railroad, fechou com chave de ouro.
O que vocês leram de bom em abril?

28 de abril de 2018

Around the World in Eighty Days

Mr. Phileas Fogg lived, in 1872, at No. 7, Saville Row, Burlington Gardens, the house in which Sheridan died in 1814. He was one of the most noticeable members of the Reform Club, though he seemed always to avoid attracting attention; an enigmatical personage, about whom little was known, except that he was a polished man of the world.

O Sr. Phileas Fogg viveu, em 1872, no número 7, Saville Row, Burlington Gardens, a casa em que Sheridan morreu em 1814. Ele era um dos membros mais notáveis do Reform Club, embora sempre parecesse evitar atrair atenção; uma personagem enigmática, sobre quem pouco se conhecia, exceto que ele era um homem polido do mundo.

Mais um clássico (re)lido! Li Around the World in Eighty Days (no Brasil: Volta ao mundo em 80 dias), de Jules Verne, pela primeira vez lá pelos meus 12-14 anos. Como isso foi há um milhão de anos eu obviamente não lembrava mais nada além do fato de que tinha gostado da leitura naquela época. E devo dizer que foi uma releitura muito agradável!

O livro segue o cavalheiro inglês Phileas Fogg, que faz uma aposta valendo 20 mil libras de que consegue dar a volta ao mundo em 80 dias. Ele leva consigo seu criado francês, Passepartout, e também encontra outros personagens pelo caminho, que se juntam em sua jornada.

Já podem imaginar que o livro é cheio de aventuras, né? Tenham em mente que o livro foi publicado pela primeira vez em 1872, antes da invenção do avião. Então eles fazem uso de diversos meios de transporte para conseguir atravessar o globo, de navios a trens e até um elefante. Eu me diverti com essa dupla: Mr. Fogg sempre com cara de paisagem, tranquilo, e Passepartout sempre afobado e com medo de perder a aposta.

A única coisa que achei meio sem graça foi que um recado que o livro deixa é que com dinheiro se pode tudo. Praticamente todos os imprevistos são resolvidos por Mr. Fogg comprando coisas ou pessoas. Se ele já não fosse muito rico quando começou a viagem, seria impossível de ser completada em 80 dias.

O livro em inglês está em domínio público, então é possível fazer o download legal e gratuitamente. A edição que eu li foi essa da Amazon, impecável. Um clássico que valhe a pena ler e reler.

A viagem em 80 dias de Mr. Fogg (Pinterest)

Nota:

25 de abril de 2018

Love & Gelato

You've had bad days before, right? You know, the ones where your alarm doesn't go off, your toast practically catches on fire, and you remember way too late that every article of clothing you own is soaking wet in the bottom of the washer?

Você teve dias ruins antes, certo? Você sabe, aqueles em que seu alarme não dispara, sua torrada praticamente pega fogo, e você se lembra muito tarde que cada peça de roupa que você possui está encharcada no fundo da máquina de lavar?

Lina, de 16 anos, já teve dias ruins, como todo mundo, mas o pior foi quando descobriu que sua mãe tinha um câncer e pouco tempo de vida. O último desejo dela é que Lina deixe os Estados Unidos para ir morar na Itália, com Howard, um pai que nunca conheceu.

Se tem duas coisas que esse livro irão te deixar com desejo são: viajar para a Itália e comer gelato ("sorvete" italiano). Nossa protagonista e narradora, Lina, nos leva por uma jornada pela Itália, e não dá vontade de sair de lá. Infelizmente ela me irritou em alguns momentos, que foram compreensíveis - afinal, a garota tinha acabado de perder a mãe.

No final, acabei gostando dela, mas quem conquistou de vez meu coração foi o Howard. Quanto amor nesse homem! Dá vontade de embrulhar e levar pra casa (ou melhor, ir visitar lá na Itália).

Love & Gelato é um livro fofo e emocionante ao mesmo tempo, com uma narrativa que me fez ficar grudada no livro até o final. Recomendo!

Imagem original: Pinterest

Nota:

21 de abril de 2018

El amor está en las alturas

- ¿Estás bien? - pregunta el tipo que está a mi lado.
Al menos creo que es un hombre; no estoy demasiado segura, su voz es muy baja. Y hay demasiadas personas aquí dentro.

- Está bem? - pergunta o cara ao meu lado.
Pelo menos eu acho que é um homem; não tenho muita certeza, sua voz é muito baixa. E há muitas pessoas aqui dentro.

Antes de sua irmã morrer, Allie lhe fez uma promessa, de que completaria diversos itens em uma lista. O primeiro deles é subir até o último andar do Empire State, em Nova York. Parece fácil... se Allie não tivesse medo de altura e claustrofobia. É lá que ela conhece Ethan, um estranho que faz piadas bobas e lhe ajuda a sobreviver a viagem de elevador.

Estou fazendo curso de espanhol e queria uma leitura leve, para praticar e para distrair das últimas leituras, que não foram fáceis. Achei a capa desse livro tão fofa que comprei o ebook na hora.

El amor está en las alturas (o amor está nas alturas) é um romance bonitinho e descompromissado, publicado de forma independente na Amazon. Ethan está decidido a fazer Allie perder seu medo de altura e nos leva a um passeio por diversos pontos turísticos de Nova York.

Uma história boba e curtinha, boa para passar uma tarde preguiçosa.

Obs: livro inédito no Brasil.

Seja como for, uma promessa é uma promessa. 
E posso ser um monte de coisas, mas não rompo minhas promessas. (imagem original)

Nota:

18 de abril de 2018

Os Próprios Deuses

Tinha acontecido trinta anos antes. Frederick Hallam era um radioquímico, com a tinta ainda fresca em sua tese de doutorado e sem o menor indício de ser alguém capaz de abalar o mundo.

A descoberta da Bomba de Elétrons é o que os cientistas sempre sonharam: uma fonte de energia ilimitada, barata e que não gera poluição. Hallam é aclamado pelo público por sua descoberta, que só foi possível graças ao conhecimento vindo de um universo paralelo.

Porém, outro cientista, Peter Lamont, quer levar a público que Hallam, na verdade, não passa de um impostor. Além disso, ele está convencido de que a Bomba é perigosa - e que sua existência irá por um fim ao nosso universo.

Por coincidência (porque tiro minhas leituras da TBR Jar), acabei lendo dois autores clássicos de ficção científica em seguida: Arthur C. Clarke e Isaac Asimov. Agora posso dizer que já li dois livros de cada, e por enquanto Clarke está ganhando no páreo.

Os Próprios Deuses é dividido em três partes. A primeira é sobre a treta entre Hallam e Lamont que comentei acima. Na segunda, acompanhamos os seres do para-universo - e foi a coisa mais louca que já li na vida. Já na terceira, vamos para a Lua, onde estão construindo outra Bomba de Elétrons.

Dei 3 estrelas mais por respeito a Sir Asimov que qualquer outra coisa, porque juro que não consegui entender esse livro. Li várias resenhas, comentários, discuti sobre com o marido (foi ele que me sugeriu a leitura)... Mas, apesar de admirar a narrativa, não consegui gostar. As três partes foram muito desconexas umas com as outras. O que mais me impressionou foi que nas duas primeiras há uma certa urgência em relação à Bomba (ela vai explodir o universo! Fujam para as colinas!), mas ninguém dá importância a isso.

Apesar de ser considerada uma obra-prima da ficção científica e ter ganhado vários prêmios, Os Próprios Deuses simplesmente não funcionou comigo. É uma pena, mas ainda não vou desistir de Asimov.


Nota:

15 de abril de 2018

Rendezvous with Rama

In a way, it was a pity. An encounter with a dark star would have been quite exciting.
While it lasted...

De certa forma, era uma pena. Um encontro com uma estrela negra teria sido bastante empolgante.
Enquanto durasse...

Um enorme objeto aparece voando pelo sistema solar. Tendo já esgotado os nomes das mitologias gregas e romanas, os astrônomos partem para o hinduísmo e o nomeiam Rama.

Ao contrário do que se pensa a princípio, Rama não é um objeto natural, como um meteoro. É uma nave espacial enorme, indo em direção ao nosso sol. Logo os terráqueos enviam sua própria nave até Rama, com a missão de descobrir quem são e o que querem os Ramans.

Depois do genial O Fim da Infância, estava curiosa para ler outros livros de Arthur C. Clarke, um dos autores clássicos da ficção científica. Apesar de Rendezvous with Rama ter sido publicado pela primeira vez em 1973, o livro envelheceu bem e não parece datado.

Algumas partes da narrativas são um pouco devagar, enquanto outras são cheias de ação e imaginação - imagine um astronauta passando por uma colina artificial pedalando uma bicicleta em formato de libélula, enquanto foge de uma monstruosidade. O livro alterna esses momentos, sem ficar entediante.

Nós vamos descobrindo mais sobre os Ramans junto com os astronautas naquela missão, sentindo medo, alegria e curiosidade com eles. O livro termina sem muitas explicações, provando que o mais importante é a jornada e não o destino.

Rendezvous with Rama foi publicado no Brasil pela Editora Aleph, com o título Encontro com Rama. O livro tem 3 continuações (desnecessárias, a meu ver), co-escritas com outro autor.


Nota:

11 de abril de 2018

The Hate U Give

I shouldn’t have come to this party.
I’m not even sure I belong at this party. That’s not on some bougie shit, either. There are just some places where it’s not enough to be me. Neither version of me. Big D’s spring break party is one of those places.

Eu não deveria ter vindo a esta festa.
Eu nem tenho certeza se pertenço a essa festa. Isso não é alguma merda, também. Há apenas alguns lugares onde não basta ser eu. Nenhuma versão de mim. A festa de primavera de Big D é um desses lugares.

Starr, de dezesseis anos, tem uma vida dividida entre o bairro negro e pobre onde vive com sua família e a escola rica e branca onde estuda. Ela sempre conseguiu manter os dois mundos separados, mas eles começam a se cruzar depois de uma tragédia terrível. Voltando para casa de uma festa, ela e seu amigo Khalil são parados pela polícia e ele é morto a tiros na frente dela.

The Hate U Give (publicado no Brasil como O ódio que você semeia) é um livro extremamente atual. Trata de racismo, bullying, (in)justiça, violência, relacionamentos familiares... Diversos assuntos se misturam para contar a história de Starr - e de Khalil através dela.

Ouvi o audiobook em inglês pelo Audible, que foi brilhantemente narrado por Bahni Turpin. Sua voz e seu sotaque fizeram toda a diferença, pois ela dramatiza muito bem toda a emoção passada pela história. Já virei fã da voz dela!

Se você tem o mínimo de respeito pelo ser humano, não tem como não ficar revoltado com o que aconteceu com Khalil e, pior, pensar que isso acontece com outros jovens todos os dias. É por isso que livros como este são tão importantes: eles incomodam. Eu realmente espero que esse livro faça as pessoas pensarem e se sintam incomodadas com tudo isso.

The Hate U Give já teve seus direitos de adaptação vendidos para o cinema e eu não vejo a hora de poder ver essa história novamente.

Ás vezes você pode fazer tudo certo e as coisas ainda darem errado.
O segredo é nunca parar de fazer certo.

Nota:

7 de abril de 2018

Sempre Vivemos no Castelo

Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. (...) Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.

Mary Katherine, mais conhecida como Merricat, mora com sua irmã Constance , o tio Julian e seu gato Jonas na antiga casa da família Blackwood. Todo o resto da família morreu de envenenamento e a suspeita do crime foi Constance. Ela foi inocentada, mas desde então o trio sofre preconceito dos outros moradores do vilarejo. Quando o primo Charles chega na casa dos Blackwood, tudo irá mudar para essa família.

Sempre Vivemos no Castelo é um livro sensacional e é difícil explicar o motivo sem dar spoilers, mas vou tentar.

Primeiro, a protagonista/narradora. Merricat manipula nós, leitores, sem que nos damos conta disso. Em alguns momentos achei a garota um pouco macabra, mas depois vi como a autora me fez concordar com ela.

Segundo, o povo do vilarejo. Lembram do povo do filme A Bela e a Fera, que era basicamente uma massa não-pensante, que tinha raiva da Belle e do seu pai porque eles raciocinavam e criavam soluções para os problemas do dia-a-dia? É igual. Assim como Merricat, fiquei com ódio de todo mundo e queria que eles caíssem mortos (viram como a narradora me fez pensar igual a ela?).

Eu só fui entender o que significava o título do livro quando o grande mistério foi revelado. Aí tudo se encaixou e eu percebi como a autora foi genial escrevendo como Merricat. Mas deixo aí para vocês lerem e tirarem suas próprias conclusões.

Sempre Vivemos no Castelo foi meu primeiro contato com Shirley Jackson - que foi referência para grandes nomes da literatura de terror e fantasia, como Stephen King e Neil Gaiman. Não vejo a hora de ler mais trabalhos dela.

Imagem original: Pinterest

Nota:

3 de abril de 2018

Só Garotos

Costumávamos rir de nós mesmos quando crianças, dizendo que eu era uma menina má tentando ser boa e que ele era um bom menino tentando ser mau. Com o passar dos anos esses papeis se reverteriam, depois reverteriam de novo, até que acabamos aceitando nossa natureza dual. Contínhamos princípios opostos, luz e trevas.

Quando recebi o kit de março da TAG Livros, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque vieram dois livros ao invés de um (o outro, Devoção, já resenhei aqui), triste porque o livro principal era uma biografia. Já pensei que seria um daqueles que iria levar o mês inteiro lendo, devagarzinho, porque ia ser chato.

Pois é, vocês podem ver que eu tinha um certo preconceito com biografias, que foi por água abaixo com esse livro. Logo nas primeiras páginas, já me senti envolvida pela escrita de Patti Smith e não queria parar de ler. Eu conhecia a Patti Smith do mundo do rock (amo Because the night), mas através de Só Garotos conheci a Patti artista, poetisa, escritora, amiga e amante.

O livro veio de uma promessa que ela fez ao fotógrafo Robert Mapplethorpe, feita pouco antes de ele morrer, de que ela iria contar a história de vida deles. Então, o livro começa com Patti chegando em Nova York nos anos 1960 e os altos e baixos de sua vida com Robert, passando pela carreira dos dois.

Robert deixou este mundo em 1989, mas Patti continua na ativa, aos 71 anos. Eu adorei poder conhecer um pouco sobre eles através de Só Garotos.

Podemos tentar mas nunca seremos tão estilosos quanto esses dois (Pinterest).

Nota:

31 de março de 2018

Resumo do Mês: Março/2018

Oi pessoal! Último dia de março, entre um feriado e um domingo, hora boa para atualizar o blog. Nesse último mês estou meio lenta para escrever as resenhas, tenho algumas acumuladas e vou tentar deixá-las programadas hoje, além de visitar os blogs amigos.

* Leituras: finalmente terminei de reler A Torre Negra! Também li os livros que vieram na TAG de março, tive meu primeiro contato com a Shirley Jackson (spoiler: foi sensacional), li um gibi e terminei de ouvir o audiobook de The hate u give.


* Novidades: Esse mês não comprei livros, então só chegou aqui a TAG Livros do mês. Comprei algumas revistas na banca.


* Resenhas do mês:

Minha leitura preferida em março foi Sempre vivemos no castelo.
O que vocês leram de bom?
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