29 de janeiro de 2018

Far from the Tree

Grace had always known that she was adopted. Her parentes had never made a secret of it. They didn't really talk about it, either. It just was.

(Grace sempre soube que era adotada. Seus parentes nunca haviam feito disso um segredo. Eles também não falavam sobre isso. Simplesmente era.)

Ainda não havia lido nenhuma resenha deste livro quando ele apareceu, por acaso, na lista de sugestões do Audible (aplicativo de audiobooks). Normalmente não costumo ler/ouvir dramas familiares, não gosto muito do assunto, mas como o livro já ganhou um prêmio, resolvi arriscar. E foi uma enxurrada de emoções cada vez que eu colocava o fone no ouvido.

O livro começa contando a história de Grace, uma adolescente de 16 anos que fica grávida do namorado. Ela foi adotada e seus pais a apoiam quando ela decide colocar seu bebê também para adoção. Porém, após o parto, ela anuncia que deseja ir atrás de sua mãe biológica.

Nessa jornada, ela conhece Maya, sua irmã biológica mais nova. Ela, por sua vez, foi adotada por uma família rica, que se descobriram "grávidos" logo após a adotarem. Seus pais não a devolveram por isso...

...Ao contrário de Joaquin, o irmão biológico mais velho das duas, que passou seus 17 anos pelo sistema de adoção. Agora ele vive com um casal que o ama, mas já sofreu tanto que tem dificuldade de retornar esse amor.

Gostei tanto dos personagens desse livro que já sentia que Grace, Maya e Joaquin eram meus irmãos, minha família. Sofri muito com eles, dei risada, chorei... Não via a hora de encontrá-los por alguns minutos por dia. Joaquin foi o mais sofrido de todos, eu queria entrar no livro, abraçá-lo e dizer que tudo ficaria bem.

Far from the Tree fala de gravidez na adolescência, adoção, bullying, alcoolismo, família... Mas sem ser chato em nenhum momento. O audiobook foi muito bem narrado por Julia Whelan, que conseguiu transmitir toda a emoção da narrativa.

O título do livro (longe da árvore), vem de uma expressão em inglês: the apple doesn't fall far from the tree (a maçã não cai longe da árvore). Significa que o filho tem características em comuns com os pais, como a nossa expressão "filho de peixe, peixinho é". Após a leitura, é possível entender por que o livro tem esse nome.

Outras capas:


Nota:

25 de janeiro de 2018

Flatland: A Romance of Many Dimensions

I call our world Flatland, not because we call it so, but to make its nature clearer to you, my happy readers, who are privileged to live in Space.

(Eu chamo nosso mundo de Flatland, não porque o chamemos assim, mas para tornar sua natureza mais clara para você, meus felizes leitores, que têm o privilégio de viver no Espaço.)

Continuando minha jornada na leitura de clássicos... Queria um livro mais fino dessa vez, para intercalar com a releitura de um Stephen King (Os Lobos de Calla). Já havia ouvido falar de Flatland e resolvi ler o e-book - tem gratuito na Amazon em inglês, pois está em domínio público.

Apesar do subtítulo ser A Romance of Many Dimensions (um romance de muitas dimensões), após ler 30% do livro estava pensando em desistir. Ele é narrado por um Quadrado, que vive em uma terra de duas dimensões chamada Flatland. Pois é, o livro é louco assim. Ele começa falando da estrutura da sociedade deles, como vivem, como são suas casas. Tendo apenas duas dimensões, uma casa é um pentágono com duas portas, uma para os Homens e outra para as Mulheres.

Uma casa em Flatland (Wikipedia)

O tom machista em relação às mulheres foi algo que me irritou muito no livro. Entretanto, como acontece com qualquer clássico, é necessário conhecer a história por trás dele. Flatland: A Romance of Many Dimensions foi escrito em 1884 por Edwin A. Abbott, como uma forma de sátira à sociedade britânica da época.

Após a parte inicial, que foi muito descritiva, o livro começou a ter uma história de verdade, com o Quadrado encontrando um Rei e, mais para a frente, uma Esfera (um objeto de três dimensões, que incrível!).

Quando terminei, estava com o cérebro doendo de tanto imaginar as cenas e pensar em geometria. Mas valeu a pena conhecer mais um clássico da literatura.

Outras capas:


Nota:

22 de janeiro de 2018

Quero ver no Brasil: Janeiro/2018

Oi pessoal! Vamos ver os lançamentos internacionais deste mês, que mais quero ver publicados por aqui?


The Cruel Prince inicia uma nova série fantástica de Holly Black, autora de A menina mais fria de Coldtown. Conta a história de Jude, que perdeu os pais e suas duas irmãs quando tinha sete anos. Dez anos depois, ela quer viver na corte das fadas, apesar de ser uma humana.

* Livro de contos fofinhos para ler e ficar feliz. É assim Meet Cute: Some People Are Destined to Meet, de diversos autores (entre eles Jennifer L. Armentrout, de Obsidiana), sobre como casais se conheceram.

* Um livro de não ficção que me chamou a atenção. Swearing Is Good for You: The Amazing Science of Bad Language é sobre a história dos palavrões e explica através da ciência como eles podem ser benéficos para a saúde. Sabia que devia existir alguma vantagem em ser boca suja...

* Para terminar, um livro estilo conto de fadas. The Hazel Wood é o nome do livro escrito pela avó de Alice, a heroína que vai enfrentar de tudo quando sua mãe desaparece.

Quais livros vocês querem ler?

18 de janeiro de 2018

Murder, She Barked

It hadn't been the best day. And now rain fell so hard on the windshield that the wipers whisked back and forth in overtime. If the needle on my gas gauge dipped any closer to E, it would turn into one of my top-ten worst days, and that was saying a lot, considering that I'd recently left my job without any prospects.

(Não estava sendo o melhor dia. E agora, a chuva caía tão forte no pára-brisa que os limpadores passavam de um lado para o outro em horas extras. Se o ponteiro da gasolina mergulhasse mais perto de E, esse se transformaria em um dos meus dez piores dias, e isso dizia muito, considerando que eu recentemente deixara meu emprego sem perspectivas.)

Quando recebe um telefonema de sua avó, Holly Miller encara uma viagem de seis horas com o carro emprestado do namorado, Ben, até o hotel que ela gerencia em Wagtail Mountain. No caminho, ao parar para abastecer, uma cachorrinha suja e faminta entra no carro sem ela ver. Holly não tem outra escolha senão levá-la consigo.

O hotel da avó chama-se Sugar Maple Inn e é definitivamente um lugar em que eu gostaria de passar minhas férias! Fica em uma cidadezinha no meio das montanhas e é um resort para cachorros e gatos. A cidade toda, aliás, adora animais. Holly logo faz amizade com Twinkletoes, uma gatinha tricolor que vive no hotel e a adota assim que a vê (a gata adota a humana, não o contrário, como costuma acontecer com os gatos).


Mas nem tudo são flores em Wagtail. Holly quase atropela um homem no caminho e presencia uma explosão. Ao chegar no hotel, descobre que um dos funcionários foi atropelado e não deve ter sido um acidente... Com a ajuda de seus novos amigos peludos, Holly começa a investigar o mistério.

Adorei tudo nesse livro! Tem animais, romance e um mistério digno de Agatha Christie. Infelizmente, Murder, She Barked ainda não foi publicado no Brasil, mas é possível encontrar o paperback e o e-book, em inglês, na Amazon. Este é o primeiro livro da série Paws and Claws Mystery, porém a história é fechada e o mistério é todo resolvido neste. Mesmo assim, não vejo a hora de voltar a Wagtail Mountain.

Outras capas:


Nota:

15 de janeiro de 2018

A Praça do Diamante

A Julieta veio até a confeitaria expressamente para me dizer que, antes do sorteio da prenda, iam sortear cafeteiras, que ela já as tinha visto: lindas, brancas, com uma laranja pintada, partida ao meio, os caroços à mostra.

Com essa frase aparentemente singela se inicia A Praça do Diamante, um de minhas últimas leituras de 2017 e também uma das melhores do ano. Um livro que certamente eu não leria por livre e espontânea vontade, se não tivesse assinado a TAG Livros em dezembro. Já comentei aqui no blog que no ano passado senti uma vontade de ler livros diferentes dos que costumo ler e, após ler A Praça do Diamante, percebi que assinar a TAG foi uma decisão certeira.

No kit da TAG veio um livrinho que me ajudou a entender o contexto do livro e a história da autora. Foi essencial para que eu entendesse o que estava acontecendo na Catalunha quando o livro foi escrito. Quem não tem o kit pode dar uma olhada na Wikipedia, pois a leitura se torna mais prazerosa quando entendemos o contexto do livro.


O livro começa antes da Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930. Natàlia, mais conhecida por nós pelo seu apelido Colometa (pomba, em catalão), é quem narra a história. Ela começa na Praça do Diamante, Barcelona, onde conhece Quimet, que se tornaria seu marido. A autora, Mercè Rodoreda, inspirou-se em um relacionamento abusivo que ela mesma viveu para escrever sobre a relação entre os dois. Tinha horas que eu queria bater a cabeça do Quimet na parede, sério. Dá pena de Colometa e vemos como é difícil para ela sair da situação em que se enfiou.

Apesar dos temas pesados (agressão doméstica, guerra, fome), a escrita da autora é tão leve que a leitura se torna deliciosa. Eu não conseguia parar de ler o relato de Colometa e fiquei triste quando o livro terminou. O final, aliás, é daqueles em que a gente lê em um fôlego só - não só porque queremos saber o que vai acontecer em seguida, mas porque o último capítulo tem 9 páginas e apenas um parágrafo. Ao contrário do que se pensa, isso não o torna cansativo, mas mais emocionante, graças à escrita de Rodoreda.

A Praça do Diamante é um livro maravilhoso, com uma história simples mas que conquistou meu coração com a escrita da autora. Recomendo.

Outras capas:


Nota:

11 de janeiro de 2018

Our Chemical Hearts

I always thought the moment you met the great love of your life would be more like the movies. Not exactly like the movies, obviously, with the slow-mo and the hair blowing in the breeze and the swelling instrumental soundtrack. But I at least thought there would be something, you know?

(Eu sempre pensei que o momento em que você conhecesse o grande amor de sua vida seria mais como o cinema. Não exatamente como os filmes, obviamente, com a câmera lenta e os cabelos soprando na brisa e a trilha sonora instrumental bombástica. Mas, pelo menos, pensei que haveria algo, sabe?)

Henry Page é um garoto de 17 anos bem normal. Nunca teve uma namorada, mas tem dois melhores amigos e adora ler e escrever. Ele é selecionado para ser o editor do jornal da escola, junto com Grace Town, uma garota esquisita, que usa roupas masculinas, tem o cabelo ensebado e anda com uma bengala. Ela é misteriosa e tem alguns problemas relacionados ao seu passado. Inexplicavelmente, Henry se apaixona imediatamente por ela.

Esse é um daquelas livros comprados pela capa. Acho lindos esses peixes azuis, que parecem saltar do papel. Quando vi que o e-book estava por apenas R$3 na Amazon então, era a oportunidade perfeita para ler.

Gostei bastante do narrador, Henry. Ele dosava comédia e drama na medida certa. Também virei fã de sua amiga Lola (já Muz achei bem irritante). Grace era um enigma que ia se desenrolando com o passar das páginas. Não tenho muita opinião sobre ela além de que a entendia por ser daquele jeito.


O enredo tem elementos similares a outro livro que li recentemente, All the Bright Places (Por lugares incríveis no Brasil). Então creio que quem gostou de um irá gostar do outro. As duas leituras foram intensas e com personagens bem desenvolvidos. Recomendo.

Obs: O livro foi publicado no Brasil em Março/2017, com o título A Química que Há Entre Nós, pela editora Globo Alt.

Outras capas:


Nota:

8 de janeiro de 2018

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando o nosso futuro

"Não sou um investidor. Gosto de tornar reais tecnologias que considero importantes para o futuro e, de alguma forma, úteis."

Se você ainda não ouviu falar de Elon Musk, certamente ouvirá em breve. Comparado ao fictício Tony Stark, Elon é um bilionário empenhado em mudar o mundo (além de ganhar muito dinheiro). Se você não conhece seu nome, já deve ter ouvido falar das empresas que ele construiu: PayPal, Tesla e SpaceX (que esteve nas notícias recentemente por ter seu mais recente lançamento confundido com um OVNI).

Fazia tempo que queria saber mais sobre ele e por isso comprei esta biografia em e-book. As partes que mais gostei foram os relatos das origens das três empresas citadas anteriormente. É possível perceber que não foi fácil chegar onde ele chegou, que a Tesla quase faliu várias vezes, assim como a SpaceX. Sua mais recente aposta é o Hyperloop, uma nova espécie de trem de super-velocidade, que estou torcendo para poder conhecer ainda nesta vida.

O ponto negativo do livro vai para o modo como o autor, Ashlee Vance, retrata as mulheres ligadas a Musk: apresentadas primeiro pelas descrições físicas. Musk é milionário mas também é muito inteligente, então não é possível que esses atributos tivessem mais importância para ele do que qualquer outro (as descrições são feitas assim até em relação a mulheres que trabalharam com ele, não só às esposas). Não pude deixar de pensar que, se uma mulher tivesse escrito a biografia, teria sido muito diferente.


Recomendo este livro para quem gosta de tecnologia e para quem quer acreditar que ela pode mudar o mundo para melhor. Lógico que, como toda biografia autorizada, é preciso ler com um pé atrás, pois há uma certa idolatria nas páginas. Porém, já é um bom começo para conhecer melhor esse gênio chamado Elon Musk.

Outras capas:


Nota:

4 de janeiro de 2018

Wanderlost

She needs me. She needs me.
My sister has never (not once, not ever) needed me.
I'm going to regret this with every fiber of my being.
I already am.
But that doesn't stop me from whispering, "Okay".

(Ela precisa de mim. Ela precisa de mim.
Minha irmã nunca (nem uma vez, nunca) precisou de mim.
Eu vou me arrepender disso com todas as fibras do meu ser.
Eu já estou arrependida.
Mas isso não me impede de sussurrar, "Ok".)

Esse livro foi mais um que encontrei por acaso fuçando em uma livraria (é por isso que ainda gosto de ir em livrarias físicas, a gente sempre acha alguma coisa diferente). A capa fofinha e o título me chamaram a atenção. O título é um trocadilho de wanderlust (vontade de viajar) com lost (perdido). Como eu adoro viajar, acabei comprando sem ler a sinopse ou resenhas.

A história é narrada por Aubree, de 17 anos. Sua irmã mais velha, Elizabeth, irá trabalhar de guia de viagem na Europa para um grupo de idosos, e ela precisa muito ir nessa viagem para conseguir seu próximo emprego. Porém, Aubree faz uma festa na casa dos pais e a irmã sem querer leva a culpa por oferecer álcool a menores de idade (nos EUA o álcool é permitido apenas para maiores de 21 anos e, ao contrário daqui, eles levam isso muito a sério). Por isso, Elizabeth não pode mais viajar, mas monta o plano perfeito de mandar a irmã em seu lugar. Aubree nunca nem saiu de sua cidade, e agora vai precisar ir para outro continente fingindo ser sua irmã.


Eu esperava uma leitura mais bobinha até, mas Wanderlust me surpreendeu. Tanto Aubree quanto Elizabeth aprendem e amadurecem muito no decorrer da história. Aubree começa muito insegura, confusa e atrapalhada, e é outra pessoa quando o livro termina. A viagem pela Europa é uma delícia de acompanhar, me senti lá com os velhinhos, que também foram uma ótima companhia. O final é um pouco previsível mas não deixou de me emocionar.

Recomendo este livro para quem quer uma leitura leve e viajar sem sair do lugar. O único ponto negativo é que o bichinho da viagem mordeu aqui, fiquei na maior vontade de fazer o roteiro do livro...

Obs: livro inédito no Brasil.

Outras capas:


Nota:

1 de janeiro de 2018

Resumo do Mês: Dezembro/2017

Primeiro post de 2018, com o resumo do último mês de 2017!

2017 foi o ano em que decidi mudar meu relacionamento com o blog. Ele existe desde 2010 para compartilhar minhas leituras e ano passado quis focar mais nas leituras que eu queria ler do que nas que era "obrigada" por causa das parcerias. Encerrei o ano sem editoras parceiras mas com livros diferentes na bagagem, e acabei lendo mais que no ano anterior. Minha meta era ler 80 livros e li 84, porém o mais importante é que li o que eu realmente queria ler.

Não vou fazer retrospectiva das leituras do ano, já faço isso todo mês e prefiro olhar para elas assim. Caso alguém tenha curiosidade pode ver meus livros lidos no Goodreads.

Vamos ao resumo de dezembro?

* Leituras: Meu mês começou e terminou com Turma da Mônica Jovem! Também li três livros físicos (esqueci de colocar um na foto, A praça do diamante, e fiquei com preguiça de editar), três e-books e terminei dois audiobooks. Analisando agora, acho que não fiz nada além de trabalhar e ler esse mês.


* Comprinhas: Chegou minha primeira caixinha da Tag Livros, que eu adorei e até já li o livro. Também comprei a revista Vida Simples do mês (que também já li) e mais três livros em inglês. Posso dizer que estou bem abastecida de livros para 2018...


* Presente: Ganhei de Natal do meu marido duas continuações que queria muito!


* Resenhas do mês:

* Novidades:

Meu livro preferido em dezembro foi Oliver Twist, amei a escrita de Dickens.
Feliz ano-novo!
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