15 de janeiro de 2018

A Praça do Diamante

A Julieta veio até a confeitaria expressamente para me dizer que, antes do sorteio da prenda, iam sortear cafeteiras, que ela já as tinha visto: lindas, brancas, com uma laranja pintada, partida ao meio, os caroços à mostra.

Com essa frase aparentemente singela se inicia A Praça do Diamante, um de minhas últimas leituras de 2017 e também uma das melhores do ano. Um livro que certamente eu não leria por livre e espontânea vontade, se não tivesse assinado a TAG Livros em dezembro. Já comentei aqui no blog que no ano passado senti uma vontade de ler livros diferentes dos que costumo ler e, após ler A Praça do Diamante, percebi que assinar a TAG foi uma decisão certeira.

No kit da TAG veio um livrinho que me ajudou a entender o contexto do livro e a história da autora. Foi essencial para que eu entendesse o que estava acontecendo na Catalunha quando o livro foi escrito. Quem não tem o kit pode dar uma olhada na Wikipedia, pois a leitura se torna mais prazerosa quando entendemos o contexto do livro.


O livro começa antes da Guerra Civil Espanhola, nos anos 1930. Natàlia, mais conhecida por nós pelo seu apelido Colometa (pomba, em catalão), é quem narra a história. Ela começa na Praça do Diamante, Barcelona, onde conhece Quimet, que se tornaria seu marido. A autora, Mercè Rodoreda, inspirou-se em um relacionamento abusivo que ela mesma viveu para escrever sobre a relação entre os dois. Tinha horas que eu queria bater a cabeça do Quimet na parede, sério. Dá pena de Colometa e vemos como é difícil para ela sair da situação em que se enfiou.

Apesar dos temas pesados (agressão doméstica, guerra, fome), a escrita da autora é tão leve que a leitura se torna deliciosa. Eu não conseguia parar de ler o relato de Colometa e fiquei triste quando o livro terminou. O final, aliás, é daqueles em que a gente lê em um fôlego só - não só porque queremos saber o que vai acontecer em seguida, mas porque o último capítulo tem 9 páginas e apenas um parágrafo. Ao contrário do que se pensa, isso não o torna cansativo, mas mais emocionante, graças à escrita de Rodoreda.

A Praça do Diamante é um livro maravilhoso, com uma história simples mas que conquistou meu coração com a escrita da autora. Recomendo.

Outras capas:


Nota:

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