26 de fevereiro de 2018

O Alforge

Para o Beduíno, liberdade era o ar do deserto que ele respirava. Esse era o espaço aberto do possível, entre o conhecido e o negado, o espaço desabitado da expectativa entre fatos aparentes.

O Alforge é dividido em nove partes, cada uma contando o ponto de vista de um personagem, cujas vidas se cruzam em uma mesma história, passada no deserto árabe. São eles: o ladrão, a noiva, o líder, o cambista, a escrava, o peregrino, o sacerdote, o dervixe e o cadáver.

Eles não têm nome e suas histórias não têm diálogos, o que tornou a leitura mais demorada, pois é um tipo de narrativa bem diferente do que estou acostumada. O fato de repassar várias vezes a mesma parte da história também a deixou cansativa, já sabíamos o que ia acontecer com certos personagens e muitas vezes sentia que a história não ia adiante.

Foi uma leitura totalmente fora da minha zona de conforto, mas apesar desses pontos negativos, gostei de conhecê-la porque aprendi muito. O livro é cheio de termos árabes, o que fez com que eu lesse com o celular do lado, buscando-os no Google e conhecendo culturas totalmente diferentes da minha.


Além disso, o livro trata, no fundo, de explicar a Fé bahá'í, uma religião que fala sobre união e igualdade. Os personagens são de diversas religiões e partes do mundo e se unem para explicar sua mensagem. Achei essa parte linda. Independente do que se acredita, acho que o mundo precisa muito aprender a ter tolerância e respeito ao próximo.

O Alforge não foi uma leitura fácil, porém foi mais um livro que me deixou feliz pelo simples fato de ter lido. O livro faz parte do kit de fevereiro/2018 da TAG Livros e até então era inédito no Brasil. Que bom que ele já chegou aqui em uma linda edição.

Outras capas:


Nota:

22 de fevereiro de 2018

A Taxonomy of Love

Two important things happened the summer I turned thirteen.
Hope moved in next door.
Mrs. Laver assigned a summer project on taxonomy.

Duas coisas importantes aconteceram no verão em que fiz 13 anos.
Hope se mudou para a porta ao lado.
A Sra. Laver atribuiu um projeto de verão sobre taxonomia.

Spencer e Hope se conhecem aos treze anos, quando ela se muda para a casa do lado com sua família. Logo se tornam amigos, apesar de ele ter receio de sair da sombra de seu irmão, devido à Síndrome de Tourette (transtorno neuropsiquiátrico hereditário que se manifesta durante a infância, caracterizado por diversos tiques físicos e pelo menos um tique vocal - Wikipedia). Porém, Hope não liga para isso. Ela vê Spencer como ele realmente é, não pela síndrome. A Taxonomy of Love é narrado por Spencer e acompanha o personagem dos 13 aos 19 anos.

Acho que esse foi o primeiro livro que leio cujo protagonista/narrador tem Tourette. Já havia ouvido falar nessa síndrome, porém procurei saber mais por causa do livro. Gostei bastante de Spencer e ele deixou bem claro como ela afetava sua vida.


Ouvi o audiobook através do Audible e acho que isso me influenciou a não gostar da Hope, pois a narradora dela tinha uma voz estridente e irritante (até doía meus ouvidos quando ela gritava "Squeee"). Aliás, outra coisa que não gostei foram os capítulos narrados por Hope - eles surgiram e depois sumiram. Foram emocionantes, mas ficaram muito perdidos no meio da história. Se o livro fosse todo em capítulos alternados, teriam feito mais sentido.

A Taxonomy of Love é um livro bonitinho, mas com uma história previsível, que seria esquecível se não fosse pela síndrome do narrador e pelas taxonomias que ele cria. É divertido, mas não se deve esperar muita coisa.

Nota:

19 de fevereiro de 2018

Gwendy's Button Box

The man has been on this same bench every day this week, always reading the same book (Gravity's Rainbow, it's thick and looks mighty arduous), but has never said anything to her until today.

Todos os dias durante o verão de 1974, em Castle Rock, Gwendy, de doze anos, sobe as escadas que levam ao parque Castle View. Um dia, um homem estranho de chapéu, sentado em um banco, a chama para conversar. Sua mãe sempre a alertou a não falar com estranhos, mas ela acaba se aproximando do homem. Ele, por sua vez, lhe oferece um estranho presente: uma caixa repleta de botões.

Apesar de Stephen King ser mais conhecido por histórias de terror, esta, em parceria com Richard Chizmar, é mais tensa do que terror em si. Para o final, inclusive, eu estava imaginando algo muito mais aterrorizante do que realmente aconteceu.

Além disso, ao contrário dos calhamaços do autor, Gwendy's Button Box é uma novella (história curta) de 171 páginas. Eu fiquei tão envolvida com ela que acabei lendo tudo em um dia só, pois não queria parar enquanto não soubesse o que ia acontecer com Gwendy.


A edição da Cemetery Dance Publications está linda, com capa dura e diversas ilustrações. Infelizmente, ela também é exclusiva, então dificilmente veremos este livro em edição similar em português, aqui no Brasil.

Outras capas:


Nota:

15 de fevereiro de 2018

O Labirinto dos Espíritos

4º livro da série O Cemitério dos Livros Esquecidos.
Atenção! Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores da série!

Resenhas anteriores:
1. A sombra do vento
2. O jogo do anjo
3. O prisioneiro do céu

Não sabia mais onde pôr aqueles livros para que meu filho não os encontrasse. Por mais fina argúcia que usasse para encontrar novos esconderijos, o olfato dele inevitavelmente os detectava. Folheei as páginas do volume e as recordações me assaltaram de novo.

Estamos na Barcelona de 1950. Daniel Sempere agora trabalha na livraria de seu pai, com sua esposa, Bea. Os dois tem um filhinho, Julián, e visitas constantes de Fermín e Bernarda.

Enquanto isso, em Madri, Alicia Gris é chamada para solucionar um mistério: o desaparecimento do ministro Mauricio Valls, ilustre patrono das artes, mas que também esconde um passado sombrio.

Quem já leu os outros livros da série, precisa parar o que está fazendo agora e ler este livro! E, quem não leu, pode até começar por este e depois partir para os outros. Eu li "meio" na ordem (1, 3, 2 e 4) e esse último livro junta todas as pontas que ficaram soltas nos outros livros. Mas, se alguém ler este primeiro, pode ter outra visão quando ler os outros.


Eu simplesmente amei esse livro. Fazia tempo que não usava post-its para marcar frases, mas esse livro praticamente me obrigou a fazer isso. A narrativa de Zafón é maravilhosa, é impossível não se envolver com ela e com seus personagens - meu preferido, aliás, continua sendo Fermín, com suas palavras bonitas e jeito galanteador. Além disso, a série toda foi escrita para os fãs de livros, que certamente vão se deliciar com as descrições do Cemitério dos Livros Esquecidos.

O Labirinto dos Espíritos fecha, com maestria, a série iniciada em A Sombra do Vento. Já sinto saudades de seus personagens e suas histórias e pretendo relê-las no futuro.

Uma história não tem princípio nem fim, só portas de entrada.

Outras capas:


Nota:

12 de fevereiro de 2018

O Universo Numa Casca De Noz

O que é tempo? Um rio ondulante que carrega todos os nossos sonhos? Ou os trilhos de um trem? Talvez ele tenha curvas e desvios, permitindo que você possa continuar seguindo em frente e, ainda assim, retornar a uma estação anterior da linha.

Acho que nunca havia me interessado por ler um livro sobre física antes. Apesar de eu ser da área de exatas, o tema é um pouco assustador, pois não estudei mais física depois que saí da faculdade. Porém, depois de assistir o filme A Teoria de Tudo e conhecer a vida do brilhante Stephen Hawking, também fiquei com vontade de conhecer também suas obras.

Já tinha O Universo Numa Casca De Noz aqui em casa, esperando para ser lido. É uma edição de 2001, da editora Mandarim, que nem deve existir mais (a edição mais atual é publicada pela Intrínseca). Por ser um livro sobre física, tinha receio de que fosse cheio de fórmulas e eu não fosse entender nada. Mas não, é bem explicativo. Fora que a edição é linda, toda ilustrada e colorida, o que me deixou encantada logo nas primeiras páginas.

O livro é uma continuação de Uma Breve História do Tempo, mostrando descobertas que ocorreram desde o lançamento do primeiro livro de Hawking. Fala sobre relatividade, mecânica quântica, supercordas, buracos negros, a origem do universo... São diversos assuntos, todos adornados com ilustrações explicativas.


Confesso que não entendi 100% do que está escrito no livro. Algumas partes li e reli umas três vezes e captei somente a ideia principal. Mas esse é um daqueles livros para se ter na estante e revisitar de vez em quando. Certamente daqui algum tempo o lerei novamente.

Outras capas:


Nota:

8 de fevereiro de 2018

Retorno a Brideshead

Quando alcancei as linhas da Companhia C, no alto da colina, parei e me voltei para olhar o acampamento, que mal se descortinava lá embaixo, em meio à névoa cinzenta do começo da manhã.

Durante a Segunda Guerra, na Inglaterra, o capitão Charles Ryder reencontra um lugar que povoa suas memórias de anos: a mansão Brideshead. A partir daí, temos o relato de suas reminiscências, partilhadas por personagens memoráveis como Sebastian Flyte e sua irmã Julia.

Certamente eu não teria lido esse livro se não tivesse vindo em uma caixinha da TAG Livros. E, também, não o teria entendido se não fosse a revista que veio na caixa, explicando a história do autor, Evelyn Waugh, e sua relação com a história do livro, que é quase autobiográfico.

Quando terminei a leitura, precisei de um tempo para digeri-la, pois não estava certa se havia gostado ou não. Posso dizer, com certeza, que detestei Sebastian e todos os residentes de Brideshead. Ele é o estereótipo do rico mimado, que não faz nada de útil com sua vida e só fica bebendo, enquanto os outros se preocupam com ele (inutilmente, na minha opinião).

Kit da TAG Livros de janeiro.

No final, eu gostei da leitura. Foi completamente diferente de tudo que já li - como costuma acontecer com os livros da TAG, pelo que estou percebendo. O que mais gostei foram as ricas discussões entre Ryder e os parentes de Sebastian - ele, agnóstico e os outros, religiosos fervorosos, mostrando dois pontos de vista em relação a vários temas.

Retorno a Brideshead já foi adaptado duas vezes. A primeira em 1981, em uma minissérie de 11 episódios, e a segunda em 2008 como longa-metragem. É um clássico que vale a pena ler para conhecer a decadência da aristocracia inglesa, no início do século XX.

Outras capas:


Nota:

5 de fevereiro de 2018

Resumo do Mês: Janeiro/2018

Primeiro resumo do mês de 2018! Vocês também sentiram que janeiro passou voando? E olha que não tive férias nem folga, trabalhei direto e mesmo assim passou muito rápido. De repente já é carnaval!

* Leituras: Comecei o ano lendo 3 livros físicos, um ebook, um audiobook e a Turma da Mônica do mês. Leituras bem diferentes. =)


* Recebidos e compras: Chegou aqui as duas caixas que estou assinando - Vegana Box, de snacks veganos, e TAG Livros. Também comprei alguns livrinhos novos. The Ghost and Mrs. Mewer é continuação de Murder, She Barked. Os outros três livros vieram do saldão da Livraria da Vila, que infelizmente vai fechar a unidade que tinha na minha cidade...


* Resenhas do mês:

Minhas leituras preferidas em janeiro foram Murder, She Barked e a releitura de Lobos de Calla! O que vocês leram de bom?

1 de fevereiro de 2018

Lobos de Calla (releitura)

5º livro da série A Torre Negra.
Atenção! Esta resenha contém spoilers dos livros anteriores da série!

Resenhas anteriores:
1. O Pistoleiro
2. A Escolha dos Três
3. As Terras Devastadas
4. Mago e Vidro

Tian foi abençoado (embora poucos fazendeiros houvessem usado tal palavra) com três tratos de terra: o Campo do Rio, onde sua família cultivara arroz desde tempos imemoriais; o Campo da Beira da Estrada, onde ka-Jaffords cultivara tubérculos, abóboras e milho durante esses mesmos longos anos e gerações; e o Filho-da-Puta, um trato ingrato que produzia sobretudo pedras, bolhas e esperanças desfeitas.

No caminho para a Torre Negra, Roland e seu ka-tet são abordados por alguns membros da população da cidadezinha de Calla Bryn Sturgis. Eles lhes suplicam que os ajudem a derrotar os Lobos, que devem chegar dali a um mês. Os Lobos sempre vêm, de tempos e tempos, e levam uma de cada criança gêmea - devolvendo-as depois, totalmente transformadas.

Se você ainda não leu A Hora do Vampiro (Salem's Lot), você precisa ler antes de Lobos de Calla. Não é essencial, mas tem um personagem muito importante na trama que se originou nesse livro, e conhecê-lo antes tornará a leitura muito mais prazerosa.

Susannah treinando para chutar traseiros de Lobos (Pinterest)

Nem preciso falar que amei esse livro, né? Essa é uma constante na série A Torre Negra, pois adoro demais Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi. Neste volume, eles se tornam pistoleiros de verdade, em uma batalha típica de um faroeste. Mas, enquanto lidam com os Lobos, também precisam pensar na Nova York de 1977, quando a Coporação Sombra tenta se apossar do terreno da Rosa.

Lobos de Calla foi mais uma viagem maravilhosa pelo Mundo Médio, que terminou com um gancho de roer as unhas. Recomendo!

Outras capas:


Nota:
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