10 de maio de 2012

Cruzando o Caminho do Sol

As irmãs desceram as escadas e passaram com dificuldade pelo saguão até o jardim em frente da casa. (...) Ahalya teve vontade de olhar uma última vez para o bangalô, mas resistiu a esse desejo. Aquele mundo em ruínas deixado pelas ondas não era o lar que elas conheciam. O mundo que havia antes e a família que ali habitava agora viviam apenas na sua lembrança.
(página 22)

Ahalya e Sita, irmãs de 17 e 15 anos, perdem sua casa e sua família no tsunami que assolou a costa leste da Índia. Com isso, acabam sendo aliciadas por um homem terrível, que as coloca a venda no mercado negro da prostituição. Enquanto isso, o advogado Thomas Clarke deixa sua vida confortável nos Estados Unidos para trabalhar em uma ONG na Índia. Seus caminhos acabam se cruzando em Mumbai, uma das cidades mais populosas do mundo.

Eu gostei muito desse livro! Ficava torcendo sempre pelas meninas e sofri muito com elas. É uma história bem diferente do que estou acostumada a ler, pois é bem real. Nada de vampiros, fantasmas ou lobisomens aqui. E isso me fez perceber porque eu gosto tanto de histórias sobrenaturais: a realidade é muito mais assustadora. A quantidade de pessoas cruéis que aparecem nesse livro supera qualquer qualquer coisa.

Apesar dos personagens do livro serem fictícios, Mumbai e o distrito de Kamathipura, dominado por traficantes e cafetões, são bem reais. Mas a história nem precisava se passar na Índia, esse é o tipo de coisa que ocorre em qualquer lugar do mundo. Quer um exemplo? As praias no nordeste do Brasil são conhecidas internacionalmente pelo turismo sexual, e não é incomum lermos notícias sobre mães que vendem suas filhas, ainda crianças.

Prostitutas em Kamathipura, Mumbai (fonte

Eu sofri muito durante a leitura, queria abraçar Sita e Ahalya e socar o resto do mundo. Além dos bandidos, Priya, a esposa de Thomas, me irritou muito! Ela é a típica pessoa que não sabe o que quer da vida, uma hora quer ficar com ele, depois desiste, depois volta. Fiquei até torcendo para que eles não ficassem juntos no final, de tão chata que ela é.

Este é o primeiro livro de Corban Addison. O autor, aliás, é advogado e já trabalhou com causas humanitárias na Índia. Então, podemos ter certeza de que ele sabe do que está falando. Apesar de ser seu primeiro livro, ele é muito bem escrito, com personagens extremamente humanos e uma narrativa envolvente.

Recomendo este livro para quem procura uma ótima história, que deixa as emoções à tona e nos faz refletir com ela.


Outras capas:

Nota:

Onde comprar: Submarino
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