10 de julho de 2012

O Prisioneiro do Céu

Abri o livro e procurei a página com a inscrição que o estranho deixou, de próprio punho:
Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro.
13
(página 20)

Barcelona, 1957. Daniel Sempere está cuidando da livraria de seu pai, quando um homem aparece e deixa um estranho bilhete. A partir daí, seu bom amigo Fermín Romero de Torres nos revela mais sobre seu passado, assim como a relação dele com a família de Daniel.

O livro mistura passado e presente. No passado, conhecemos a história de Fermín; no presente, acompanhamos Daniel. E, mais uma vez, Carlos Ruiz Zafón prova por que é um autor reconhecido internacionalmente.

Este é um daqueles livros que precisam ser saboreados. Eu li devagar, deixando-o me transportar para Barcelona. A melhor parte do livro é o relato de Fermín. Ele tem um humor ácido e sarcástico que me fez rir e anotar diversas frases. Ele é o tipo de personagem que eu gostaria que existisse na vida real e fosse meu amigo. Aliás, foi difícil fechar este livro ao terminá-lo, pois não queria deixar os personagens para trás.

Importante ressaltar também que a tradução deste livro está perfeita, pois não encontrei erros durante a leitura. E não deve ser fácil transpor a linguagem meio poética de Zafón...

Mapa de Barcelona (dentro do livro)

Este é o terceiro livro da trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos:
1. O Jogo do Anjo
2. A Sombra do Vento (resenha)
3. O Prisioneiro do Céu

Porém, como o próprio Zafón escreve no começo do livro, eles podem ser lidos de forma independente. Para mim, só falta ler o primeiro livro, e fiquei com muita vontade de ler enquando lia O Prisioneiro do Céu. Apesar de dar para entender a história sem ter lido os anteriores, eram citados alguns fatos dos outros livros, e acho que teria entendido melhor a relação entre eles se tivesse lido todos. Também recomendo ler antes (ou assistir o filme) O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, para entender melhor o plano criado por Fermín.

Enfim, recomendo e muito este e todos os outros livros! Apesar deste fechar a trilogia, ele deixa um gancho para continuação. Realmente espero que o autor continue a história dos Sempere pois, quanto mais Zafón, melhor.

A capa original é igual à nossa, então, encerro a resenha com um trecho da genialidade de Fermín:

Às vezes acho que Darwin se equivocou e que, na verdade, o homem descende dos cães, porque oito entre dez hominídeos já fizeram alguma cachorrada que ainda não foi descoberta.

Nota:

Onde comprar: Submarino
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